Ganhei uma cobaia para testar meus dotes de psicanalista. Pena que eu já quebrei a primeira regra de S. Freud: "o paciente e o analista não podem ter laços afetivos." E o meu cobaia não é uma pessoa muito persistente. Além de achar que sonha com cartas de Magic porque gosta muito delas e não tem dinheiro pra montar o deck como quer. Ai ai... Se ao menos ele tivesse lido os meus textos sobre psicanálise aqui (resumidíssimos, por sinal) ele saberia que os sonhos são muuuuuito bem disfarçados. Os desejos reprimidos têm mais a ver com prazer não-resolvido, complexo de Édipo não resolvido, coisas que são ameaçadoras para a integridade do organismo (na visão do eu e do supraeu). Nunca um deck caro de Magic.
"Estar vivo, enfim, é uma grave responsabilidade."
Lya Luft
"There's no point in living when you can't feel alive."
Garbage, The World Is Not Enough
Lya Luft
"There's no point in living when you can't feel alive."
Garbage, The World Is Not Enough
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Arte
Existe um problema em escrever contos em primeira pessoa. As pessoas acham que EU sou a personagem deles. Não sou. As personagens podem ter um pouco de mim, quase sempre têm, mas não sou eu lá. As minhas ideias estão lá, mas não sou eu.
Eu não sou apenas as minhas ideias, e esse é o problema.
Minha noção de arte tem mudado um pouco ultimamente, mas não perdeu sua essência. Sempre considerei que a arte é uma maneira de expressar a realidade, uma maneira estéticamente agradável, apreciável e única. O que vem mudando, principalmente, é a importância dada à estética na arte. Até recentemente, eu me importava mais com o conteúdo que eu queria expressar, menos com o "jeito" de dizer aquilo. Hoje, devido ao meu crescente interesse em linguística e meu desenvolvimento da atividade de escrever, considero extremamente importante a forma com que a mensagem é passada. Hoje eu já considero mais a musicalidade, a sonoridade, a fluidez das palavras dispersas sobre o papel ou a tela do computador. Eu já escolho com cuidado as palavras, até mesmo o código, que vou usar para passar meu recado.
Eu já achei que a arte fosse eu mesma, com outra roupa e em outro lugar. Hoje eu acho que a arte são as minhas ideias com outra roupa e em outro lugar. O jeito que eu enxergo o mundo que me rodeia, como eu lido com ele, como interagimos.
Tudo isso deve ser levado em consideração ao se ler meus contos. Eles são expressões da minha arte, não são eu com outro nome. Eu sou maior do que isso.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Hope
Parece que o resto do mundo está refletindo o meu humor nos últimos meses. Já é o quarto dia seguido que amanhece cinzento, frio e chuvoso. Como eu.
A cada dia que passa a sensação de não-pertencimento vai aumentando. Essa sensação de não pertencer a lugar nenhum, de não ser nada, de não ter nada... Como se tudo, e eu mesma, fosse de uma inutilidade sem fim. Como se nada tivesse importância.
(Náuseas e tontura. Quase dois dias sem comer direito.)
Aula. Vírus. Será que eles são vivos? Eles não têm/são células. Não têm ribossomo e mitocôndria. São parasitas intracelulares obrigatórios. Fora da célula eles se cristalizam. Eles entram na célula, usam os recursos dela para se reproduzir e depois, geralmente, matam a célula. Buscam outra célula e o ciclo se repete. Até que um dos dois morra: a infecção ou o organismo.
Pensando bem, nós humanos somos vírus. Estamos sugando todos os recursos da Terra e nos reproduzindo indefinidamente. Mas quando a Terra for destruída, nós não vamos ter outro lugar para ir.
(Cansaço. Desesperança. Medo.)
Enquanto isso o tempo vai passando. Parece que não acaba nunca.
sábado, 24 de outubro de 2009
1/4
Não esperava ser o único a romper a barreira do som
Superei o medo da distorção das palavras
Fui sincero, muito cedo ...
Tem horas em que lembro com saudade
todo o tempo de minha vida
E perplexo vejo que já um quarto dela
Se passou em felicidade desapercebida
Se o tempo hoje parasse
Ou então não mais vivesse
Estaria me traindo
Ao pensar que o tempo pararia
Se meu coração não mais batesse
Anotei inutilmente experiências num caderno
Por temer tornar a repeti-las
E descobri que o amor precisava de estratégia
E eu não sabia como se perdia
Tem horas em que lembro com saudade
todo o tempo de minha vida
E perplexo vejo que já um quarto dela
Se passou em felicidade desapercebida
Agora basta de besteira
Cansado de me procurar, achei que devia me perder
E não notei que fiz de todo o tempo uma tragédia
A minha vida, eu não conhecia
E se pensava que o jovem não tem medo da morte
Eu noto só agora que a sorte se inverte,
Ou então estou mais velho...
[by Biquini Cavadão: Alvaro, Bruno, Miguel, Sheik, Coelho, Beni]
Superei o medo da distorção das palavras
Fui sincero, muito cedo ...
Tem horas em que lembro com saudade
todo o tempo de minha vida
E perplexo vejo que já um quarto dela
Se passou em felicidade desapercebida
Se o tempo hoje parasse
Ou então não mais vivesse
Estaria me traindo
Ao pensar que o tempo pararia
Se meu coração não mais batesse
Anotei inutilmente experiências num caderno
Por temer tornar a repeti-las
E descobri que o amor precisava de estratégia
E eu não sabia como se perdia
Tem horas em que lembro com saudade
todo o tempo de minha vida
E perplexo vejo que já um quarto dela
Se passou em felicidade desapercebida
Agora basta de besteira
Cansado de me procurar, achei que devia me perder
E não notei que fiz de todo o tempo uma tragédia
A minha vida, eu não conhecia
E se pensava que o jovem não tem medo da morte
Eu noto só agora que a sorte se inverte,
Ou então estou mais velho...
[by Biquini Cavadão: Alvaro, Bruno, Miguel, Sheik, Coelho, Beni]
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Uma semana - parte 2
Parte – Caçador de guruçá
Conheci um outro medo. Guruçá. O caranguejo-que-eu-acho-que-é-siri. Um bichinho branquelo, feioso, com olhões esbugalhados e pinças afiadas e fortes. Seu Joaquim pegou um desses de jeito, com um chutaço que nem o Ta-ta-ta-tardelli pegaria tão bem. O bicho desorientou, tentou fugir, mas acabou sendo capturado por alguns instantes. Tentava se defender, mas como o seu Joaquim o pegou pela carapaça, as pinças do guruçá não alcançavam. Ainda há controvérsias sobre a classificação taxonômica do guruçá. O Lúcio jura que é um caranguejo, porque ele tem a carapaça lisa e vive fora d'água. Eu acho que é siri, porque tem as pinças iguais e formato mais espichado. Alguém aí tira as dúvidas? (Mariana, você estudou o guruçá em Itaúna?)
Parte – Mercado de peixe
Tinha dois tipos de garça diferentes. Os bichos são tão conhecidos por lá que já têm nome. Algo que soa como Kelly, Rakelly, alguma coisa assim. E gostam de comer peixe. Teve uma que lavou a tripa do peixe na água antes de comer, educadíssima. A fonte na pracinha tem uns bagres grandões. A região inteira fede peixe. O camarão é barato. Tem muito siri também. Em frente tem uma peixaria, a Peixaria do Jacaré. Lá vende siri desfiado, que eu acho que usam para fazer casquinha de siri. *boca enchendo de água*
Conclusão
Tenho medo de mar, odeio sol, odeio mostrar meu corpo em biquíni. Mas adoro Brahma gelada, dormir com o Lúcio, chapinhar na água depois que a temperatura já foi ajustada, acarajé, camarão, sorvete. Existem coisas boas e ruins em tudo. Mas a semana foi muito boa.
Conheci um outro medo. Guruçá. O caranguejo-que-eu-acho-que-é-siri. Um bichinho branquelo, feioso, com olhões esbugalhados e pinças afiadas e fortes. Seu Joaquim pegou um desses de jeito, com um chutaço que nem o Ta-ta-ta-tardelli pegaria tão bem. O bicho desorientou, tentou fugir, mas acabou sendo capturado por alguns instantes. Tentava se defender, mas como o seu Joaquim o pegou pela carapaça, as pinças do guruçá não alcançavam. Ainda há controvérsias sobre a classificação taxonômica do guruçá. O Lúcio jura que é um caranguejo, porque ele tem a carapaça lisa e vive fora d'água. Eu acho que é siri, porque tem as pinças iguais e formato mais espichado. Alguém aí tira as dúvidas? (Mariana, você estudou o guruçá em Itaúna?)
Parte – Mercado de peixe
Tinha dois tipos de garça diferentes. Os bichos são tão conhecidos por lá que já têm nome. Algo que soa como Kelly, Rakelly, alguma coisa assim. E gostam de comer peixe. Teve uma que lavou a tripa do peixe na água antes de comer, educadíssima. A fonte na pracinha tem uns bagres grandões. A região inteira fede peixe. O camarão é barato. Tem muito siri também. Em frente tem uma peixaria, a Peixaria do Jacaré. Lá vende siri desfiado, que eu acho que usam para fazer casquinha de siri. *boca enchendo de água*
Conclusão
Tenho medo de mar, odeio sol, odeio mostrar meu corpo em biquíni. Mas adoro Brahma gelada, dormir com o Lúcio, chapinhar na água depois que a temperatura já foi ajustada, acarajé, camarão, sorvete. Existem coisas boas e ruins em tudo. Mas a semana foi muito boa.
Uma semana
Uma semana que passou voando como se fossem apenas uns 10 segundos.
Lá estava eu, em Castelhanos, Anchieta, Espírito Santo. O estado que é mais conhecido como "litoral/quintal de Minas". Verdade da pura. De 10 carros estacionados na orla, 9 tinham placa de Minas Gerais. Uns 3 ou 4 eram de BH ou região metropolitana.
Uma coisa que eu amo em praia é comer peixe e camarão todo dia a preços razoáveis. Morar no interior significa comprar frutos do mar a preços exorbitantes. Em Castelhanos você pode pegar o carro e ir pro cais em Anchieta, a uns 2 km de distância. Lá você compra camarão pequeno a 5 reais o quilo, médio a 10 reais. E do grande, cujo preço é R$ 99,99/kg, eu ganhei dois camarões enormes a meros 50 reais o quilo, ou seja, a metade do preço. Como eu peguei uma receita de camarão empanado outro dia, comecei a vigiar preço de camarão em BH. O Sete Barbas tava R$ 10,90 o pacote de 1 kg no Carrefour na outra semana.
Com três dias o maldito sol já tinha deixado sua maldita marca no meu corpo, prova de que nenhum prazer permanece sem punição nesse mundo. Minha pele branquinha está manchada, aquelas marquinhas de biquíni que eu odeio já davam sinal de vida. Pelo menos passei bastante protetor solar (até acabar o pote!), peguei pouco sol, fiquei na sombra a maior parte do tempo na praia e morro de medo do mar.
Meu medo de mar merece um capítulo à parte. Já escrevi aqui no Makaber que eu tomei um senhor caldo do mar de Iriri, no mesmo quintal de Minas, 11 anos atrás, e que isso me deixou um trauma tal que eu morro de medo de me enfiar no mar de novo. O Lúcio prometeu e cumpriu: me empurrou com ele pra dentro da água gelada e salgada. Mas eu impus limites, não aceitava ir muito longe, me agarrava no cangote dele e gritava horrores quando as ondas me pegavam. Custei a pegar a manha, e no meio da semana ainda "pegava jacarezinho" sem querer e pulava errado. Meus dois ouvidos entupiram um sem número de vezes. Todos os dias eu saía do mar com medo de uma infecção. O FDP do meu cunhado Hugo ainda falava que as ondas de Castelhanos são muito fracas: "só chegam a 1,5m!". Dava vontade de bater. Sábado o mar tava terrível, muito forte, maré alta, ondas altas. Meus ouvidos ficaram zunindo o dia inteiro.
Nunca bebi tanta Brahma gelada na minha vida, e nunca tomei tanto sorvete. Aliás, na sorveteria, vendem creme de açaí na tigela. Tinha três cartazes anunciando. Em dois estava escrito: tijela. Eu me pergunto se eles ainda estavam decidindo qual era a forma certa para corrigir o que estivesse errado.
Sexta-feira teve jantar no Cantinho Português. Uma pizza deliciosa meio frango, meio bacon, escondidinho de bacalhau e nhoque de camarão, coca-cola genérica gelada e barriguinha cheia.
Saí de noite alguns dias com o resto da turma de 7 pessoas que foram a Castelhanos. A gente sentava na beira da praia e ficava olhando o mar e conversando fiado. À noite a gente não sabe onde que termina o mar e começa o céu, já que tudo fica preto. Eu só sei que ainda é mar onde aparece o branco das ondas quebrando fazendo barulho. O mar é gelado.
Lá estava eu, em Castelhanos, Anchieta, Espírito Santo. O estado que é mais conhecido como "litoral/quintal de Minas". Verdade da pura. De 10 carros estacionados na orla, 9 tinham placa de Minas Gerais. Uns 3 ou 4 eram de BH ou região metropolitana.
Uma coisa que eu amo em praia é comer peixe e camarão todo dia a preços razoáveis. Morar no interior significa comprar frutos do mar a preços exorbitantes. Em Castelhanos você pode pegar o carro e ir pro cais em Anchieta, a uns 2 km de distância. Lá você compra camarão pequeno a 5 reais o quilo, médio a 10 reais. E do grande, cujo preço é R$ 99,99/kg, eu ganhei dois camarões enormes a meros 50 reais o quilo, ou seja, a metade do preço. Como eu peguei uma receita de camarão empanado outro dia, comecei a vigiar preço de camarão em BH. O Sete Barbas tava R$ 10,90 o pacote de 1 kg no Carrefour na outra semana.
Com três dias o maldito sol já tinha deixado sua maldita marca no meu corpo, prova de que nenhum prazer permanece sem punição nesse mundo. Minha pele branquinha está manchada, aquelas marquinhas de biquíni que eu odeio já davam sinal de vida. Pelo menos passei bastante protetor solar (até acabar o pote!), peguei pouco sol, fiquei na sombra a maior parte do tempo na praia e morro de medo do mar.
Meu medo de mar merece um capítulo à parte. Já escrevi aqui no Makaber que eu tomei um senhor caldo do mar de Iriri, no mesmo quintal de Minas, 11 anos atrás, e que isso me deixou um trauma tal que eu morro de medo de me enfiar no mar de novo. O Lúcio prometeu e cumpriu: me empurrou com ele pra dentro da água gelada e salgada. Mas eu impus limites, não aceitava ir muito longe, me agarrava no cangote dele e gritava horrores quando as ondas me pegavam. Custei a pegar a manha, e no meio da semana ainda "pegava jacarezinho" sem querer e pulava errado. Meus dois ouvidos entupiram um sem número de vezes. Todos os dias eu saía do mar com medo de uma infecção. O FDP do meu cunhado Hugo ainda falava que as ondas de Castelhanos são muito fracas: "só chegam a 1,5m!". Dava vontade de bater. Sábado o mar tava terrível, muito forte, maré alta, ondas altas. Meus ouvidos ficaram zunindo o dia inteiro.
Nunca bebi tanta Brahma gelada na minha vida, e nunca tomei tanto sorvete. Aliás, na sorveteria, vendem creme de açaí na tigela. Tinha três cartazes anunciando. Em dois estava escrito: tijela. Eu me pergunto se eles ainda estavam decidindo qual era a forma certa para corrigir o que estivesse errado.
Sexta-feira teve jantar no Cantinho Português. Uma pizza deliciosa meio frango, meio bacon, escondidinho de bacalhau e nhoque de camarão, coca-cola genérica gelada e barriguinha cheia.
Saí de noite alguns dias com o resto da turma de 7 pessoas que foram a Castelhanos. A gente sentava na beira da praia e ficava olhando o mar e conversando fiado. À noite a gente não sabe onde que termina o mar e começa o céu, já que tudo fica preto. Eu só sei que ainda é mar onde aparece o branco das ondas quebrando fazendo barulho. O mar é gelado.
E comi um milho velho, ou algo do tipo, na quarta-feira, que me fez perder um dia no PA (pronto-atendimento) tomando 1 l de soro fisiológico na veia. Vomitei horrores. Acordei na quinta-feira com uma dor abdominal forte, mas não era uma dor normal, nem vontade de defecar. Esperei passar, mas não passava. Quando fiquei com fome, tomei um copo de café com leite. Um tempo depois, vomitei. Esperei passar mais um pouco, tomei um copo de soro caseiro e deitei. Quando vi que não ia passar e que a dor só piorava, pedi pro Lúcio chamar alguém na praia pra me levar no posto de saúde. Até hoje o seu Joaquim ta me cobrando a carne de sol com mandioca e farofa que ele deixou de comer pra me levar pro PA. Cheguei lá, minha pressão tava normal (100/80 mmHg; minha média é por volta de 90/70 mmHg). Expliquei pro médico o que eu tava sentindo, ele até adivinhou alguns sintomas, quando viu que eu era mais ou menos entendida do assunto ele se soltou e foi mais claro e até me perguntou se eu era da área da saúde ("estudante de psicologia da UFMG!"). Me prescreveu 1 l de soro e buscopan simples (eu lembrei da minha mãe dizendo que sou alérgica a dipirona). Tomei o soro, parecia até melhor. Perguntei a enfermeira se podia comer alguma coisa (tava morrendo de fome; o que eu tinha comido foi expulso), ela disse que eu podia comer biscoito de sal e suco. O Lúcio me trouxe um suquinho de uva Kapo e um pacote de biscoito papa-ovo (que eu adoooooro). Quando tive alta, a primeira coisa que eu tive foi uma diarreia. A segunda foi uma queda de pressão. Depois eu vomitei tudo. Fiquei na sexta-feira tomando remédio (buscopan composto e flatol), remédios pra dor abdominal. Tomei soro caseiro também, um saco, aquele negócio é horrível. Esse episódio de gastroenterite aguda com provável origem virótica me lembrou quando eu tive uma infecção intestinal aos 11 anos em Itapecerica e passei 4 dias internada. Mas pelo jeito não foi tão grave.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Postagem número 200
São uns 3 anos de Makaber já.
Quanta coisa, quanto tempo.
Talvez na outra semana, quando eu voltar do quintal de Minas (rsrsrs), mais conhecido como litoral do Espírito Santo, eu vou ler o Mito de Sísifo. Tava na promoção na Saraiva, e eu comprei. Paguei a boleta hoje, mas como hoje é sexta, só semana que vem...
Tem chovido muito nos últimos dias e eu estou com muita dor de cabeça. Não sei porque, mas já to começando a achar que meu grau de miopia ta aumentando, estou me sentindo estranha com o óculos e isso não é normal, me habituei a ele facilmente.
Estou meio com fome, já que só comi um pão com hambuger na pressa de ir encontrar com a minha cunhada e entregar a ela as chaves pro meu irmão e uma apostila de literatura pro vestibular. Estou meio desorientada entre ajudar minha tia, a ansiedade da viagem próxima e do AF de amanhã, da possibilidade de passar a noite com o Lúcio, a primeira tranquila em algum tempo já.
Será que tem Caixa lá em Castelhanos? Por que eu preciso fazer a transferência do dinheiro pro despachante. Meu visto foi marcado pra 16 de novembro. Antes disso preciso ir a Divinópolis buscar meu passaporte e comprar minha mochila nova, que será daquelas de acampamento, modelo maior do que eu.
E a saudade que não passa...
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Tristeza
ow
*q sono
*tava pajeando a sofia e o bruninho aqui
*depois fui transferir umas fotos da tia vivi
*baixei o firefox pra ela
Ψ Bárbara - "There's no point in living if you can't feel alive" diz (23:14):
*ela quer q eu leia um texto gigante de pilates e faça um texto de 500~1000 palavras em dois dias
*e ainda tenho dever de alemão e a coznha pra arrumar
*ah nem
* >.<
*quero morrer
*q sono
*tava pajeando a sofia e o bruninho aqui
*depois fui transferir umas fotos da tia vivi
*baixei o firefox pra ela
Ψ Bárbara - "There's no point in living if you can't feel alive" diz (23:14):
*ela quer q eu leia um texto gigante de pilates e faça um texto de 500~1000 palavras em dois dias
*e ainda tenho dever de alemão e a coznha pra arrumar
*ah nem
* >.<
*quero morrer
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Por que não um diário?
O fim de semana foi um bocado complicado... Engraçado que eu vasculhei a casa inteira procurando o veneno no sábado, mas só achei mesmo no domingo, quando a crise já tinha diminuído um bocado. Ainda quero morrer, mas nesse momento me sinto mais apta a adiar o processo...
Domingo eu gastei 16 reais num maldito sutiã que me fez ficar os mais ou menos 40 min do trajeto entre a casa da minha vó e a casa do Lúcio mexendo nos meus peitos (no meio da rua!) o tempo todo.
Devia ter guardado pra comprar a camiseta do Galo que era bonitinha e provavelmente super confortável.
Me sinto uma menininha de 10 anos graças à Paum e à Karol, que quase me mataram de dor. Minha perna está esquisita ainda, lisa demais. Mas ganhei um sabonete cheiroso, uns lencinhos umedecidos (baby's wipes de adulto hahauhauhau) e um ovomaltine. O Lúcio comprou um cd do Barão Vermelho até legalzinho por 5 reais. Eu não quis olhar os cds, ia ficar com vontade de comprar sem ter ca$h pra isso...
Descobri ontem que vou poder passar o fim de semana com o Lúcio tranquilamente e sem precisar mentir muito, já que a vó e a tia Vivi vão viajar na sexta. Sábado tem AF e eu devo ir, caçar minhas orelhinhas de persocon e talvez um Death Note com capa de couro e os escritos do Kira, ou talvez uma camiseta nova legal. (ser otaku pobre é foda. Queria uma pelúcia. =/)
Domingo tem praia. Eu sou branquela, odeio pegar sol, queimar, ficar com aquela cor marrom esquisita na pele, além de descascar, ficar vermelha e ardendo. Também tenho medo de mar, já disse isso num post por aí. Não gosto de entrar na água de jeito nenhum. (O Lúcio já disse que vai me forçar a entrar com ele, até onde ele conseguir ir >.<) Mas acho que praia também tem coisas boas. Tipo espetinho de camarão, água de coco, peixe barato e conchinhas.
Vou de biquíni novo. Na verdade, a calcinha vermelha e o sutiã branco com estampa vermelha e azul escuro eu já tenho desde fevereiro, mas ainda não usei. Ganhei domingo uma calcinha azul com estrelinhas prateadas, uma fofura. Ganhei também protetor solar da Natura (já tava preocupada com isso, como disse, sou branquela e odeio sol).
Essa semana também, se o banco e meu pai colaborarem, vou quitar o alemão e o visto. O que sobrar é meu, vai ser o dinheiro da viagem, e se sobrar eu guardo pra pagar o Lúcio e gastar com ônibus, lanches, essas coisas com as quais eu gasto meu dinheiro. Também vai ser o dinheiro que vai bancar meu AF...
Mas hoje ainda é terça-feira. Hoje ainda tenho que suportar a minha vó, arrumar o maldito apartamento (com a chata pondo defeito no meu serviço), arrumar o quarto do Lúcio amanhã, fazer dever de alemão, essas coisas...
Tomara que essa semana passe depressa como as outras +-40 anteriores...
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Um, dois e três
I
Senti o chão tremendo sob meus pés.
Mas logo depois passou. Será que era uma alucinação minha?
A casa no quarteirão em frente explodiu.
Pessoas nascem e morrem o tempo todo, todos os dias. Claro que as coisas não são diferentes no quarteirão em frente. Uma dona que morreu tinha acabado de parir o segundo filho. Os dois meninos sobreviveram, órfãos agora. A vida é assim mesmo, cheia de surpresas.
Essa semana tem sido especialmente chata. Polícia, bombeiros, defesa civil, essa corja toda, aqui na porta de casa, perturbando. Pessoas que não são moradoras da rua nem podem passar por aqui.
Odeio ficar sozinha.
II
Senti o chão tremendo sob meus pés.
Mas logo depois passou. Será que era uma alucinação minha?
As coisas continuam acontecendo aos poucos. Antigamente os mais novos nos respeitavam, nossos filhos faziam o que mandávamos, e sabíamos como lidar com o mundo. Hoje o mundo está de pernas para o ar e não sabemos mais nada. Tudo aquilo em que eu acreditava não existe mais, não é mais confiável, certo. Nem Deus é uma certeza absoluta como era antes.
Estou obsoleto. Acho que, como se diz, meu prazo de validade já passou. Não sirvo mais para esse mundo - ou será que é o mundo que não serve mais para mim?
III
Senti o chão tremendo sob meus pés.
Mas logo depois passou. Será que era uma alucinação minha?
Ele me olhou com aquele olhar perigoso, ardente. Como se fosse me retalhar em pedaços com os olhos. Desviei o rosto para o outro lado e fingi que nada tinha acontecido. Ainda bem que guardei o meu dinheiro no outro armário. Senão ficaria com fome e teria que ir embora a pé hoje.
Eram 4 deles, e pareciam fortes. Me rodearam. Eu fechei os olhos. As pancadas caíram provocando dor maior que eu imaginava. Acho que se eles não pararem logo vão acabar estourando meu fígado ou meus rins. Eles enfiam a mão nos meus bolsos, reviram tudo, e acham a nota de dois que eu propositalmente deixei escondida com um post-it em branco. Senti o cuspe de alguém na bochecha direita. Meus olhos ainda estam fechados, então nem sei quem cuspiu. Eles me derrubam no chão frio e áspero e sujo e vão embora rindo alto. Eu levanto devagar e me dirijo ao armário onde minhas coisas estão guardadas.
Estou com fome.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
[by Carlos Drummond de Andrade]
[mas queria que fosse minha]
[é pra vc mesmo.]
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
[by Carlos Drummond de Andrade]
[mas queria que fosse minha]
[é pra vc mesmo.]
terça-feira, 22 de setembro de 2009
How you remind me
Never made it as a wise man
I couldn't cut it as a poor man stealing
Tired of living like a blind man
I'm sick inside without a sense of feeling
And this is how you remind me
This is how you remind me of what I really am
This is how you remind me of what I really am
It's not like you so, sorry
I was waiting on a different story
This time I'm mistaken
For handing you a heart worth breaking
And I've been wronged, I've been down
Into the bottom of every bottle
These five words in my head
Scream are we having fun yet?
Yeah, yeah, yeah, no no
Yeah, yeah, yeah, no no
It's not like you didn't know that
I said I love you and I swear I still do
And it must have been so bad
Cause living with me must have damn near killed you
And this is how you remind me of what I really am
This is how you remind me of what I really am
It's not like you so, sorry
I was waiting on a different story
This time I'm mistaken
For handing you a heart worth breaking
I've been wronged, I've been down
Into the bottom of every bottle
These five words in my head
Scream are we having fun yet?
I couldn't cut it as a poor man stealing
Tired of living like a blind man
I'm sick inside without a sense of feeling
And this is how you remind me
This is how you remind me of what I really am
This is how you remind me of what I really am
It's not like you so, sorry
I was waiting on a different story
This time I'm mistaken
For handing you a heart worth breaking
And I've been wronged, I've been down
Into the bottom of every bottle
These five words in my head
Scream are we having fun yet?
Yeah, yeah, yeah, no no
Yeah, yeah, yeah, no no
It's not like you didn't know that
I said I love you and I swear I still do
And it must have been so bad
Cause living with me must have damn near killed you
And this is how you remind me of what I really am
This is how you remind me of what I really am
It's not like you so, sorry
I was waiting on a different story
This time I'm mistaken
For handing you a heart worth breaking
I've been wronged, I've been down
Into the bottom of every bottle
These five words in my head
Scream are we having fun yet?
[by Nickelback]
[é pra vc mesmo.]
Associação livre
Vida, louca vida.
Sono. Café. Fome. Fome o dia inteiro. Saco. Barriga tá doendo. Preciso sair. Porcaria de chuva. Esqueci meu tênis em casa. Preciso falar com ele. A internet não tava funcionando até agora. Ainda bem que voltou. Frio. Chão molhado. Meu pé tá doendo. Vou ficar mais umas duas semanas só com a bota. A bota machuca meu pé se eu uso demais. Saco. Preciso do meu tênis. To muito esquecida ultimamente. Queria comer pão de sal. O pão ta duro. Muito velho. Pão integral mesmo. Leite. Não tem leite. O café esfriou. A pia tá cheia. Não vou lavar agora. Dane-se. To aqui pra servir de empregada doméstica ou pra ir pra faculdade, hein? Quando eu voltar eu lavo. A luz não tinha voltado até hoje de manhã. O elevador voltou a funcionar. Escada no escuro. Seis andares. Celular sem bateria. Arrastando os pés e as mãos para não esbarrar. Como se eu fosse uma cega. Elevador subindo. Esqueci o dinheiro na gaveta. Elevador subindo de novo. Escada. Elevador descendo. Espero não ser assaltada hoje. Meu fone de ouvido não funciona. A pilha acabou. Sem rádio hoje. Saí mais cedo do que devia. Água. Beber água. Fechado. Suando demais. Nós vamos nos casar. Não quero filhos. Filhos são ruins. Odeio crianças. Eu sei que ele quer. Eu não posso. Vamos nos casar. Estou tão feliz. Letras. Palavra. Lacan. Inconsciente como linguagem. Palavra resquício do perdido. Psicologia UFMG. O segurança vai me olhar feio na entrada. Não vou entrar. Sinal continua desligado. Desvio grandão do ônibus. Água. Jornal. Não tenho 25 centavos. Preciso de 1,90 pro ônibus. Quinta-feira tem alemão. Dever. Pedir pra ele imprimir as tabelas de pronomes. Chegar cedo demais. Tudo fechado agora. Muito cedo. Princípio de engarrafamento na rua. Carro demais, rua de menos. Copinhos muito pequenos. 10 copinhos para uma garrafinha d'água. Esperar. A internet não funciona. Funciona. Mandar uma mensagem e dizer o quanto meu amor é grande. E-mail do meu pai. Besta. Fanático demais. Louco. Dar o recado. Dado. Eu sabia. Ele nunca vai. Ligar a rádio. A internet ta funcionando beleza. Notícias. Buddypoke não funciona. No Opera também não. No Chrome também não. Merda. Nada para fazer na internet. O buraco não abre. Droga. Daqui a pouco a aula dele acaba. Ele não vem mais me ver? Outra mensagem. O celular deve ter ficado em casa. Sono. Ler um pouco. Barriga doendo. Fome. Esquilo voador. Olhões redondinhos me olhando. Frio.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Elefante Branco
Você já pensou em chegar
Numa boa aos quarenta?
Por que você não tenta?
Por que não experimenta?
Você quer dançar ao som do Soul
Dos anos sessenta
Então por que não reinventa?
Por que não experimenta?
Não tenha medo da loucura
Do escuro da solidão
Nem do Elefante Branco na contra mão
E se o mundo da tanta volta
Não há tempo de olhar pra trás
Repetindo os velhos erros dos nossos pais
As vezes a vida voa
As vezes ralenta
E as vezes arrebenta
Por que não experimenta?
E tudo que a gente não fez
E agora lamenta
Por que você não tenta?
Por que não experimenta?
Numa boa aos quarenta?
Por que você não tenta?
Por que não experimenta?
Você quer dançar ao som do Soul
Dos anos sessenta
Então por que não reinventa?
Por que não experimenta?
Não tenha medo da loucura
Do escuro da solidão
Nem do Elefante Branco na contra mão
E se o mundo da tanta volta
Não há tempo de olhar pra trás
Repetindo os velhos erros dos nossos pais
As vezes a vida voa
As vezes ralenta
E as vezes arrebenta
Por que não experimenta?
E tudo que a gente não fez
E agora lamenta
Por que você não tenta?
Por que não experimenta?
Não tenha medo da loucura
Do escuro da solidão
Nem do Elefante Branco na contra mão
E se o mundo da tanta volta
Não há tempo de olhar pra trás
Repetindo os velhos erros dos nossos pais
Que descanse em paz!!!
Não tenha medo da loucura
Do escuro da solidão
Nem do Elefante Branco na contra mão
E se o mundo da tanta volta
Não há tempo de olhar pra trás
Repetindo os velhos erros dos nossos pais
Que descanse em paz!!!
Do escuro da solidão
Nem do Elefante Branco na contra mão
E se o mundo da tanta volta
Não há tempo de olhar pra trás
Repetindo os velhos erros dos nossos pais
Que descanse em paz!!!
Não tenha medo da loucura
Do escuro da solidão
Nem do Elefante Branco na contra mão
E se o mundo da tanta volta
Não há tempo de olhar pra trás
Repetindo os velhos erros dos nossos pais
Que descanse em paz!!!
[by Tigres de Bengala]
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
A Psicanálise e o processo criativo
[Baseado na palestra da ilustre Ana Cecília Carvalho, dia 12/09/09]
A minha querida ex-professora de Psicanálise na UFMG, Ana Cecília, tem pós-graduações em Literatura e Psicanálise. Faz atualmente uma pesquisa sobre o suicídio de escritores em pleno período de fertilidade criativa. Vou tentar resumir aqui o que ela disse sobre isso em sua palestra, interessantíssima, sobre o assunto.
Primeiro, é necessário constatar: a literatura não é um sintoma neurótico/psicótico. Ela é algo à parte, quase que contrário ao sintoma, e assim como a arte em si, é geradora de questionamentos sobre as teorias. Freud dizia que o escritor tem um conhecimento endopsíquico dos processos inconscientes, aqueles que o psicanalista estuda anos a fio para identificar.
A literatura é fruto de um processo que Freud chama de sublimação. Esse processo desvia as pulsões, disfarçando as relações entre elas, diringindo-as a um novo alvo, socialmente compartilhado e valorizado. Os impulsos inconscientes ameaçadores infantis, eróticos e agressivos, são transformados em impulsos não-ameaçadores. O novo objeto também leva à realização dos desejos reprimidos, embora transformado. Existe uma mudança de estado, não essencial, nesse objeto. Esse novo objeto guarda relações, disfarçadas, com o antigo; o processo psicanalítico torna visíveis essas relações. Ou seja, a sublimação permite ultrapassar os impedimentos à realização dos impulsos/desejos.
Então, a arte pode ser considerada uma realização do prazer coletivo, uma forma alternativa, mais saudável, longe do sintoma.
Porém, ocorre no processo sublimatório, uma separação entre Eros e Thanatos (pulsões de vida e de morte). O ego fica à mercê da agressividade da pulsão de morte. O escritor passa a sentir, então, um fracasso, uma insuficiência em conter o que sente na escrita. Surge uma toxidez na escrita e, por fim, o ego se submete a Thanatos e o escritor se mata.
[Tudo beeeem simplificado, né?]
Exemplos de escritores pesquisados pela Ana Cecília:
- Virginia Woolf
- Paul Celan
- Anne Sexton
- Ana Cristina César
- Sylvia Plath
- David Foster Wallace ("Breves Entrevistas com Homens Hediondos")
"Horror de nada dizer X horror de tudo dizer". D. F. Wallace
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