Como sufoca guardar essa raiva toda dentro de mim!
E quando resolvo extravasar, sou punida do mesmo jeito, mas dessa vez externamente, e por ter sido desobediente e desrespeitosa.
Como entender essas inúmeras contradições estúpidas que marcam a minha vida?
Tem horas que eu pareço os irmãos Baudelaire. Tudo bem até que aparece o Conde Olaf e estraga tudo de novo. E embora eu tente avisar, ninguém me escuta porque eu sou uma "adolescente revoltada e estúpida de merda". Tudo que eu tento fazer está fadado ao fracasso. E depois me perguntam por que eu sou niilista! Oras! Nunca tive motivos pra acreditar em alguma coisa, uma vez que nada funciona, nada dá certo, nada faz sentido. Como se a angústia não fosse inerente ao simples fato de existir, ainda tem toda uma conjunção que torna a minha vida um verdadeiro inferno. Vou fugir. Fugir para onde? Como? E aguentar parada e quieta todo tipo de humilhação e descaso? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Ou eu sou insípida ou eu sou respondona. Ou passiva demais ou mal-educada.
Não suporto mais. Aliás, não suporto mais há anos, e mesmo assim venho dolorosamente me forçando a continuar nessa Via Crucis interminável. Cinco ou seis horas de felicidade despreocupada e o resto da semana num inferno pessoal sem fim. O inferno são os outros. No meu caso os outros têm nome: Viviane Patrícia Rocha e Petronílha Gomes Rocha (nome de solteira Petronília Gomes de Carvalho). Obrigada a vocês duas, titia Vivi e vovó Nila, por tornar minha vida insuportável. Obrigada por me incentivarem a estudar mais química (pra conhecer venenos e tentar produzir um coquetel molotov caseiro para estourar o apartamento), biologia (para tentar definir uma boa maneira de matar e morrer) e psicologia/psiquiatria (para me livrar da culpa com um atestado de insanidade se eu sobreviver).
E obrigada a meus queridos pais Omar Bruno Gomes Rocha e Vânia Neide Guimarães Rocha por deliberadamente esquecerem que eu existo, tenho vontades, desejos e necessidades. Obrigada por se preocuparem apenas com suas vidinhas medíocres no sul de minas e esquecerem do meu bem-estar e do bem-estar do meu irmão, que ainda é menor de idade e precisa de carinho e cuidado tanto quanto, ou talvez mais, do que eu.
Obrigados a vocês todos por toda essa merda que vocês estam fazendo.

