Cansaço.
A vida inteira, anos esticados em décadas, resumida em uma pequena palavra de sete letras.
A gente tem várias opções de viver. Pode viver de passado, de presente, de futuro. Todas elas acabam do mesmo jeito: tédio e cansaço.
O jeito seria não dividir a vida em espaços de tempo. Mas não tem como.
Então a gente escolhe um jeito e vai. Até cansar.
E depois de cansar a gente para e espera.
Eis tudo resumido.
E assim eu poderia começar bem uma autobiografia. Mas nem compensa escrever uma autobiografia, pois seria apenas a descrição maçante de anos empurrados com a barriga e por fim a espera. Seria a descrição do medo e da angústia de estar vivo e não ter motivo para isso. Buscar coisinhas e coisas e coisonas que a gente acha que vai, enfim, dar um sentido à existência. Mas elas não dão sentido a nada. Os filhos só fazem a gente sentir mais medo da morte, mais medo da vida. Aumenta a ganância pelo dinheiro que nos mantém sobrevivendo, e a repulsa inconsciente desse estado nojento a que chegamos.
Onde chegamos?
Nem sei mais onde cheguei.
Sei que o tempo é pouco para não se fazer nada e no fim morrer. Ou se tentar fazer alguma coisa que no fim se mostra inútil.
"Mas a vida é assim mesmo." Claro que é.
No fim eu só me sinto cansada dessa caminhada cheia de pedras, partindo do nada e indo a lugar nenhum. Cansada de fingir ser plástico e circuitos eletrônicos. Cansada de ser - ou não ser? - alguma coisa e nada.
A vida inteira, anos esticados em décadas, desperdiçada.
Mas o que mais eu poderia fazer?
A vida inteira, anos esticados em décadas, resumida em uma pequena palavra de sete letras.
A gente tem várias opções de viver. Pode viver de passado, de presente, de futuro. Todas elas acabam do mesmo jeito: tédio e cansaço.
O jeito seria não dividir a vida em espaços de tempo. Mas não tem como.
Então a gente escolhe um jeito e vai. Até cansar.
E depois de cansar a gente para e espera.
Eis tudo resumido.
E assim eu poderia começar bem uma autobiografia. Mas nem compensa escrever uma autobiografia, pois seria apenas a descrição maçante de anos empurrados com a barriga e por fim a espera. Seria a descrição do medo e da angústia de estar vivo e não ter motivo para isso. Buscar coisinhas e coisas e coisonas que a gente acha que vai, enfim, dar um sentido à existência. Mas elas não dão sentido a nada. Os filhos só fazem a gente sentir mais medo da morte, mais medo da vida. Aumenta a ganância pelo dinheiro que nos mantém sobrevivendo, e a repulsa inconsciente desse estado nojento a que chegamos.
Onde chegamos?
Nem sei mais onde cheguei.
Sei que o tempo é pouco para não se fazer nada e no fim morrer. Ou se tentar fazer alguma coisa que no fim se mostra inútil.
"Mas a vida é assim mesmo." Claro que é.
No fim eu só me sinto cansada dessa caminhada cheia de pedras, partindo do nada e indo a lugar nenhum. Cansada de fingir ser plástico e circuitos eletrônicos. Cansada de ser - ou não ser? - alguma coisa e nada.
A vida inteira, anos esticados em décadas, desperdiçada.
Mas o que mais eu poderia fazer?

