"Pelos caminhos do mundo
Nenhum destino se perde
Há os grandes sonhos dos homens
E a surda força dos vermes."
Cecília Meireles

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Invictus

Out of the night that covers me,
    Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
    For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
    I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
    My head is bloody, but unbow'd.

Beyond this place of wrath and tears
    Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
    Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
    How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
    I am the captain of my soul.

[by William Henley]

(Pretendo traduzir o poema, mas não agora... Esse poema foi a inspiração de Nelson Mandela durante seus 27 anos de encarceramento durante o apartheid, e nomeou o filme que conta como a África do Sul lidou com desmantelamento do regime.)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

The Road Not Taken - O caminho não percorrido

O título desse post é também o título de:

- Um episódio da primeira temporada de Fringe (!);
- Um poema do escritor americano Robert Frost;
- Um artigo do economista americano (vencedor do Nobel) Paul Krugman.

Quem me acompanha no twitter e no facebook deve ter visto meus tweets falando sobre o Krugman. Pra quem não acompanha, vou falar de novo: conheci o Krugman quando estava passando as férias de julho/2011 nos EUA. Em plena crise do calote (pra quem não lembra ou não viu, foi quando os EUA ficaram sem dinheiro pra pagar as dívidas e tinham que: a) o Congresso e o presidente autorizarem uma lei que aumentasse o teto da dívida, ou seja, da quantidade de dinheiro que o governo pode pegar emprestado, e assim poder pegar mais dinheiro pra cobrir as dívidas que estavam vencendo; ou b) dar o calote nas dívidas que estavam vencendo). Naquela época, li quase tudo que o Krugman escreveu sobre o assunto, e sobre outras coisas relacionadas com a crise.

Voltando para o Brasil, continuei lendo algumas coisas, mas o assunto afinou porque os EUA conseguiram a lei que aumenta o teto da dívida e não deram o calote (ainda). Mas aí o Lúcio começou a assinar a Folha de S. Paulo e eu descobri que eles publicam textos do Krugman (que escreve pro New York Times). E agora, então, estou lendo ele de novo.

Aí achei esse artigo, que dá nome ao post. O Sergyo Vitro (Conteúdo Livre) posta textos, artigos e reportagens de diversos jornais e revistas aos quais ele tem acesso. Ele gentilmente me arrumou o link do artigo traduzido publicado na Folha (link aqui). O original você encontra aqui.

Mas se você está com preguiça de clicar nos links... Eu publico aqui. Eu realmente acho que as pessoas deveriam ler isso, mesmo que não entendam de política, de economia, mesmo que estejam naquele torpor de achar que não tem nada a ver com isso. É um texto pequeno, simples e direto, de fácil leitura.

Deixo você, caro leitor, com o Paul Krugman. Boa sorte.

Vale a pena contemplar o fracasso abjeto de uma doutrina que infligiu sério dano a Europa e EUA



Os mercados estão comemorando o acordo que surgiu em Bruxelas na madrugada da quarta para a quinta. Realmente, diante do que poderia ter acontecido -desacordo total-, o fato de que os líderes europeus tenham concordado quanto a alguma coisa, por menos adequado que o acordo se prove, é um desdobramento positivo.

Mas vale a pena contemplar o quadro mais amplo -o fracasso abjeto de uma doutrina econômica que infligiu sério dano a Europa e EUA.

Essa doutrina pode ser resumida pela afirmação de que, depois de uma crise financeira, os bancos devem ser resgatados e o público tem de pagar por isso. Assim, uma crise causada pela desregulamentação se torna motivo para caminhar ainda mais para a direita; um momento de desemprego em massa não resulta em esforços públicos para criar empregos, mas sim em uma era de austeridade, com cortes de gastos públicos e programas sociais.

A doutrina vem sendo imposta com alegações de que não existe alternativa e que a austeridade fiscal poderia criar empregos. A ideia é que cortar gastos torna empresas e consumidores mais confiantes, o que compensaria o efeito depressivo da redução nos gastos públicos.

Alguns economistas não se deixaram convencer. Um deles se referiu à alegação de que a austeridade teria efeito expansivo como equivalente a acreditar na "fadinha da confiança". Pensando bem, fui eu.

Ainda assim, a doutrina vem se provando muito influente. É defendida pelos republicanos nos EUA e pelo Banco Central Europeu. E, quando David Cameron virou premiê do Reino Unido, imediatamente impôs cortes, decisão elogiada servilmente por muitos sabichões.

Mas agora os resultados podem ser vistos, e a imagem não é bonita. A Grécia foi lançada a uma queda interminável. A economia britânica está estagnada por efeito da austeridade, e a confiança de empresas e consumidores despencou.

Mas há alternativa? Para descobrir, vim à Islândia, para participar de uma conferência sobre um país que agiu de modo diferente.

Se você tem lido relatos sobre a crise, sabe que a Islândia supostamente representa o paradigma de um desastre. Os bancos descontrolados sobrecarregaram o país de dívidas e pareciam ter criado uma situação para que não havia saída.

Mas o desespero tornou impossível um comportamento convencional, e isso permitiu à Islândia violar as regras. Enquanto as demais nações resgataram os bancos e forçaram os cidadãos a arcar com o custo, o país permitiu que eles quebrassem e expandiu sua rede de previdência social. Enquanto os outros tentaram aplacar os investidores internacionais, a Islândia impôs controles temporários de capitais.

E como o país está se saindo? Não evitou danos econômicos graves ou a queda significativa em seu padrão de vida. Mas controlou a alta no desemprego e o sofrimento dos cidadãos mais vulneráveis; a rede de segurança social sobreviveu. A decência básica da sociedade também.

E isso contém uma lição para os demais países. O sofrimento que tantos cidadãos enfrentam é desnecessário. Se o momento envolve dor inacreditável e uma sociedade muito menos solidária, é por escolha. As coisas não precisavam, e continuam não precisando, ser assim.
"Espero que a partida seja boa. E espero não voltar nunca mais."
Frida Kahlo