Foram exatamente 1000 dias. E acabou por causa de um piercing no tragus.
Assim... Na verdade o piercing foi uma desculpa. Um sintoma. A coisa era muito maior que isso.
As questões em foco aqui são:
1) até que ponto se deve ceder a "picuinhas", "incompatibilidades", raivas e brigas, para se manter um relacionamento afetivo?
2) até que ponto interferir na vida do outro é "mandar" e até que ponto é normal?
3) até que ponto alguém se recusar a ouvir a opinião do outro é quebra de confiança?
Esses eram os problemas, e eram problemas antigos até.
Eu defendo que brigas são normais, picuinhas são normais e a convivência em sociedade nos obriga a aprender a lidar com isso.
Ele entendia que qualquer briguinha, por qualquer motivo, era sinal de que o relacionamento não estava dando certo e tinha que terminar.
Ao mesmo tempo que ele entendia que não podíamos forçar a mudança no outro, ele não me aceitava como sou e se ressentia de termos que ceder em algumas coisas para uma boa convivência.
Por fim, ele queria que eu deixasse para fazer o piercing no tragus na semana que vem, por causa de uma festa de aniversário (da mãe dele). Eu disse que queria fazer na sexta para aproveitar a companhia de uma amiga (que fez dois piercings no mesmo dia). Ele disse então que eu podia fazer o que eu quisesse. Maaas, na sexta-feira, ao saber que eu tinha insistido no piercing, disse que eu havia quebrado a confiança dele em mim e que tinha terminado comigo.
Isso mesmo. Não foi uma conversa. Foi uma afirmação. "Terminei com você." Como se eu não valesse nada, como se minha opinião não valesse nada. Como se não precisássemos conversar. Como se eu fosse qualquer coisa que tomou vida própria além do que ele pretendia e por isso tinha que ser descartada.
Como se fazer o que eu quisesse, como ele mesmo disse que eu podia fazer, fosse qubra de confiança.
Agora eu me pergunto, quem é mais idiota/otário nessa história:
ele me acusando de quebra de confiança por causa de um piercing e terminando comigo de maneira autoritária
ou
eu que, ao ser desprezada que nem um cachorro sarnento por causa de um piercing, continuo amando o otário e querendo insistir no relacionamento?
O pior de toda essa situação é que eu acho que a burra sou eu.




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