“Nunca se pode saber o que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores nem corrigi-la nas vidas posteriores.”
É sabido que “A insustentável leveza do ser” é o mais célebre romance do tcheco naturalizado francês Milan Kundera, publicado em sua língua materna em 1982 (já radicado na França). Mas o livro nos espera com muitas surpresas. Inicia-se com Nietzsche e seu “eterno retorno”. Depois vemos Parmênides e seus polos opostos. Só mais tarde vemos os primeiros personagens, Teresa e Tomas. Depois surge Sabina. E, de repente, vemos um texto sobre a etimologia da palavra compaixão nas línguas românicas, eslavas e germânicas, para só depois retornar à história dos personagens. Aliás, a história dos quatro personagens principais – Teresa, Tomas, Sabina e Franz – é apenas desculpa para a exposição das ideias do autor. Ou melhor, são exemplos que o autor utiliza para explicar suas ideias.
O mais interessante no romance não são as histórias, mas a sua estrutura fragmentada que lembra uma antologia de contos. Essa fragmentação das ideias cria uma sensação indescritível no leitor. A apresentação original – citação a filósofos, figuras notórias, personagens históricas, passagens bíblicas, mitos gregos, literatura, a história da Boêmia – cria uma agradável atmosfera onde se vê com clareza os problemas a serem discutidos.
Não se vê quase o que acontece com os personagens por fora, mas a alma e a mente deles reside em uma casa de vidro. É interessante ver o autor intercalar a primeira e a terceira pessoas do discurso: percebemos a perspectiva daquela torrente de ideias/pensamentos/ emoções, mas não se pode identificar quem fala. Será o próprio Milan? Apenas em uma passagem não dúvida. É quando se discute a gênese da personagem. Quem fala aí é o próprio Milan, talvez explicando, talvez desabafando.
“A insustentável leveza do ser” é leve como a pluma na balança de Osíris, mas provoca no leitor o esmagamento de um caminhão que cai no abismo. Não é efêmero.
É sabido que “A insustentável leveza do ser” é o mais célebre romance do tcheco naturalizado francês Milan Kundera, publicado em sua língua materna em 1982 (já radicado na França). Mas o livro nos espera com muitas surpresas. Inicia-se com Nietzsche e seu “eterno retorno”. Depois vemos Parmênides e seus polos opostos. Só mais tarde vemos os primeiros personagens, Teresa e Tomas. Depois surge Sabina. E, de repente, vemos um texto sobre a etimologia da palavra compaixão nas línguas românicas, eslavas e germânicas, para só depois retornar à história dos personagens. Aliás, a história dos quatro personagens principais – Teresa, Tomas, Sabina e Franz – é apenas desculpa para a exposição das ideias do autor. Ou melhor, são exemplos que o autor utiliza para explicar suas ideias.
O mais interessante no romance não são as histórias, mas a sua estrutura fragmentada que lembra uma antologia de contos. Essa fragmentação das ideias cria uma sensação indescritível no leitor. A apresentação original – citação a filósofos, figuras notórias, personagens históricas, passagens bíblicas, mitos gregos, literatura, a história da Boêmia – cria uma agradável atmosfera onde se vê com clareza os problemas a serem discutidos.
Não se vê quase o que acontece com os personagens por fora, mas a alma e a mente deles reside em uma casa de vidro. É interessante ver o autor intercalar a primeira e a terceira pessoas do discurso: percebemos a perspectiva daquela torrente de ideias/pensamentos/ emoções, mas não se pode identificar quem fala. Será o próprio Milan? Apenas em uma passagem não dúvida. É quando se discute a gênese da personagem. Quem fala aí é o próprio Milan, talvez explicando, talvez desabafando.
“A insustentável leveza do ser” é leve como a pluma na balança de Osíris, mas provoca no leitor o esmagamento de um caminhão que cai no abismo. Não é efêmero.




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