"Pelos caminhos do mundo
Nenhum destino se perde
Há os grandes sonhos dos homens
E a surda força dos vermes."
Cecília Meireles

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Life is a lonely struggle

X: Ontem eu a levei para jantar. Restaurante italiano. Achei que ela fosse querer uma massa bacana, mas ela pediu pizza. De mussarela. Eu quase pedi um vinho, mas desisti porque me lembrei que ia beber sozinho. Bebemos coca. Se soubesse disso, tinha chamado para irmos no Pizza Hut.

Y: Ela ficou perguntando sobre o tiro de guerra. Disse que queria aprender a atirar ("talvez seja útil"). Sinceramente, eu não tenho coragem de colocar uma arma de fogo nas mãos de uma menina que pouco tempo atrás estava tomando antidepressivos por causa da morte da avó.

Z: Ela não me ligou. De novo.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Life is a lonely struggle

 A cabeça dela estava estourada e isso era tudo em que eu conseguia pensar. A primeira coisa que eu pensei foi que ela gostava mais da avó do que eu podia imaginar. Mas depois comecei a pensar melhor e percebi que aquilo tudo estava anunciado há anos.

Ninguém consegue ser tão normal. Aliás, o que é normal?

O psiquiatra não conseguiu me dizer muita coisa. Parece que existe um consenso entre a maioria e isso acaba se tornando o convencionado “normal”.

Ela era uma menina comum. Dizia que ia fazer faculdade de Filosofia. Gostava de música clássica. Desenhava. Seu sonho era fazer um bom curso de pintura e, talvez, uma pós-graduação na área de Estética. Tinha um namorado bacana, uma família normal.

O que faz uma menina comum, bacana, dar um tiro de espingarda na cabeça?

Eu não conseguia pensar direito com aquele cheiro de sangue.
"Espero que a partida seja boa. E espero não voltar nunca mais."
Frida Kahlo