"Estar vivo, enfim, é uma grave responsabilidade."
Lya Luft
"There's no point in living when you can't feel alive."
Garbage, The World Is Not Enough

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Palavras

T. S. Eliot disse que queria dizer que "Lady, three white leopards sat under a junipertree".

Então eu disse simplesmente a ele que queria dizer o que estava escrito. Claro que não sou como Heidegger, preocupado demais em ser exato. Ele precisava disso, sua filosofia da angústia precisava disso, mas eu não preciso. Eu escrevo o que sinto e isso não tem significado.

Talvez por isso eu tenha recusado o emprego como crítica literária. Não sou a pessoa mais indicada para caçar coisas no trabalho dos outros. Eu simplesmente escrevo. Não me formei em literatura, não me importo com o significado que essas coisas poderiam ter. Simplesmente sinto aquilo tudo me envolvendo como se fosse a água fria e salgada do mar, e eu estava lá, nua, me deixando ser tomada por todas aquelas sensações inebriantes de ser tocada pela água e pela brisa do litoral.

E hoje meus olhos estão pesados e doloridos do sono que não passa nunca. Bocejos e mais bocejos. Não que eu tenha dormido mal. É só sono mesmo. Talvez não signifique nada além de "é só sono mesmo", ou talvez eu esteja sendo enganada por mim mesma e nem percebi. Eu deixo as palavras se derramarem pelo papel a seu bel prazer e depois mostro a quem quiser ver o resultado. Talvez as pessoas se emocionem com aquilo tudo que eu sinto, como se sentisse tudo também, no meu lugar, junto de mim, compartilhando comigo a torrente.

Escrever para mim é apenas o exercício de pôr no papel o meu mundo sensível. Não existe margem para outra interpretação. Foi isso o que eu disse a ele. Os leopardos se sentaram sob o junípero. E mais nada. Por que havia de existir outro sentido?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Grrrrr

Como sufoca guardar essa raiva toda dentro de mim!
E quando resolvo extravasar, sou punida do mesmo jeito, mas dessa vez externamente, e por ter sido desobediente e desrespeitosa.

Como entender essas inúmeras contradições estúpidas que marcam a minha vida?

Tem horas que eu pareço os irmãos Baudelaire. Tudo bem até que aparece o Conde Olaf e estraga tudo de novo. E embora eu tente avisar, ninguém me escuta porque eu sou uma "adolescente revoltada e estúpida de merda". Tudo que eu tento fazer está fadado ao fracasso. E depois me perguntam por que eu sou niilista! Oras! Nunca tive motivos pra acreditar em alguma coisa, uma vez que nada funciona, nada dá certo, nada faz sentido. Como se a angústia não fosse inerente ao simples fato de existir, ainda tem toda uma conjunção que torna a minha vida um verdadeiro inferno. Vou fugir. Fugir para onde? Como? E aguentar parada e quieta todo tipo de humilhação e descaso? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Ou eu sou insípida ou eu sou respondona. Ou passiva demais ou mal-educada.

Não suporto mais. Aliás, não suporto mais há anos, e mesmo assim venho dolorosamente me forçando a continuar nessa Via Crucis interminável. Cinco ou seis horas de felicidade despreocupada e o resto da semana num inferno pessoal sem fim. O inferno são os outros. No meu caso os outros têm nome: Viviane Patrícia Rocha e Petronílha Gomes Rocha (nome de solteira Petronílha Gomes de Carvalho). Obrigada a vocês duas, titia Vivi e vovó Nila, por tornar minha vida insuportável. Obrigada por me incentivarem a estudar mais química (pra conhecer venenos e tentar produzir um coquetel molotov caseiro para estourar o apartamento), biologia (para tentar definir uma boa maneira de matar e morrer) e psicologia/psiquiatria (para me livrar da culpa com um atestado de insanidade se eu sobreviver).

E obrigada a meus queridos pais Omar Bruno Gomes Rocha e Vânia Neide Guimarães Rocha por deliberadamente esquecerem que eu existo, tenho vontades, desejos e necessidades. Obrigada por se preocuparem apenas com suas vidinhas medíocres no sul de minas e esquecerem do meu bem-estar e do bem-estar do meu irmão, que ainda é menor de idade e precisa de carinho e cuidado tanto quanto, ou talvez mais, do que eu.

Obrigados a vocês todos por toda essa merda que vocês estão fazendo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Woofer

1400 caracteres é uma grande quantidade de letrinhas que eu preciso usar... Achei esse negócio aqui num blog, e foi dito que era uma piada. Acho que é um exagero, assim como os 140 caracteres do Tuíto são um exagero na outra ponta da corda. O ideal seria o meio termo. Talvez uns 500 caracteres fossem um bom tamanho. Mas bem, faltam um pouco mais de 1000 ainda e nem tenho mais assunto!
 

Bem, hoje eu comi McDonalds. Dois McChicken Jr. Com katchup. Eu não gosto de katchup nem de maionese e quase não gosto de alface, mas hoje eu comi isso tudo só porque vinha dentro do pão tostadinho com um bife de frango empanado. E um panfletinho com curiosidades inúteis sobre "o mundo subterrâneo". Comi exatamente 730 kcal relacionadas ao sanduíche, mais as do katchup que eu não contei. Em uns 15 minutos, talvez menos.


Engraçado pensar no papel que o McDonalds tem numa notícia que vi hoje de manhã no jornal: previsões dizem que o número de obesos deve atingir a marca de 50% da populacão dos EUA em alguns anos, ou décadas, não sei. Eu não sou obesa, embora a minha tia quase-bulímica e o meu irmão implicante insistam em dizer que eu preciso emagrecer. Meu IMC está normal, entre 20 e 25 (quase 25, ta certo, mas ainda assim é normal). Mas bem, lá fora tem um monte de gente com problemas relacionados à má alimentação relacionada à comida do McDonalds.


Eu gosto e vou continuar comendo, mesmo fazendo parte de quase todos os grupos de risco associdos a doença cardíaca-vascular. 

Fazer o que, né...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Notícias

Ganhei uma cobaia para testar meus dotes de psicanalista. Pena que eu já quebrei a primeira regra de S. Freud: "o paciente e o analista não podem ter laços afetivos." E o meu cobaia não é uma pessoa muito persistente. Além de achar que sonha com cartas de Magic porque gosta muito delas e não tem dinheiro pra montar o deck como quer. Ai ai... Se ao menos ele tivesse lido os meus textos sobre psicanálise aqui (resumidíssimos, por sinal) ele saberia que os sonhos são muuuuuito bem disfarçados. Os desejos reprimidos têm mais a ver com prazer não-resolvido, complexo de Édipo não resolvido, coisas que são ameaçadoras para a integridade do organismo (na visão do eu e do supraeu). Nunca um deck caro de Magic.

Arte

Existe um problema em escrever contos em primeira pessoa. As pessoas acham que EU sou a personagem deles. Não sou. As personagens podem ter um pouco de mim, quase sempre têm, mas não sou eu lá. As minhas ideias estão lá, mas não sou eu.

Eu não sou apenas as minhas ideias, e esse é o problema.

Minha noção de arte tem mudado um pouco ultimamente, mas não perdeu sua essência. Sempre considerei que a arte é uma maneira de expressar a realidade, uma maneira estéticamente agradável, apreciável e única. O que vem mudando, principalmente, é a importância dada à estética na arte. Até recentemente, eu me importava mais com o conteúdo que eu queria expressar, menos com o "jeito" de dizer aquilo. Hoje, devido ao meu crescente interesse em linguística e meu desenvolvimento da atividade de escrever, considero extremamente importante a forma com que a mensagem é passada. Hoje eu já considero mais a musicalidade, a sonoridade, a fluidez das palavras dispersas sobre o papel ou a tela do computador. Eu já escolho com cuidado as palavras, até mesmo o código, que vou usar para passar meu recado.

Eu já achei que a arte fosse eu mesma, com outra roupa e em outro lugar. Hoje eu acho que a arte são as minhas ideias com outra roupa e em outro lugar. O jeito que eu enxergo o mundo que me rodeia, como eu lido com ele, como interagimos.

Tudo isso deve ser levado em consideração ao se ler meus contos. Eles são expressões da minha arte, não são eu com outro nome. Eu sou maior do que isso.
"Espero que a partida seja boa. E espero não voltar nunca mais."
Frida Kahlo