T. S. Eliot disse que queria dizer que "Lady, three white leopards sat under a junipertree".
Então eu disse simplesmente a ele que queria dizer o que estava escrito. Claro que não sou como Heidegger, preocupado demais em ser exato. Ele precisava disso, sua filosofia da angústia precisava disso, mas eu não preciso. Eu escrevo o que sinto e isso não tem significado.
Talvez por isso eu tenha recusado o emprego como crítica literária. Não sou a pessoa mais indicada para caçar coisas no trabalho dos outros. Eu simplesmente escrevo. Não me formei em literatura, não me importo com o significado que essas coisas poderiam ter. Simplesmente sinto aquilo tudo me envolvendo como se fosse a água fria e salgada do mar, e eu estava lá, nua, me deixando ser tomada por todas aquelas sensações inebriantes de ser tocada pela água e pela brisa do litoral.
E hoje meus olhos estão pesados e doloridos do sono que não passa nunca. Bocejos e mais bocejos. Não que eu tenha dormido mal. É só sono mesmo. Talvez não signifique nada além de "é só sono mesmo", ou talvez eu esteja sendo enganada por mim mesma e nem percebi. Eu deixo as palavras se derramarem pelo papel a seu bel prazer e depois mostro a quem quiser ver o resultado. Talvez as pessoas se emocionem com aquilo tudo que eu sinto, como se sentisse tudo também, no meu lugar, junto de mim, compartilhando comigo a torrente.
Escrever para mim é apenas o exercício de pôr no papel o meu mundo sensível. Não existe margem para outra interpretação. Foi isso o que eu disse a ele. Os leopardos se sentaram sob o junípero. E mais nada. Por que havia de existir outro sentido?

