"Estar vivo, enfim, é uma grave responsabilidade."
Lya Luft
"There's no point in living when you can't feel alive."
Garbage, The World Is Not Enough

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Never take us alive



Sometimes I feel like I'm from another world
And everything I want in life seems impossible
Cause people they'll tear you apart
But in the bottom of our hearts, our dreams are alive inside
But we won't forget

So, we say,
You can't bleed, can't change, can't take us down (we run this town)
We'll stand, we'll fight, set fires all night
Youll never take us alive. Whoa-oh. Whoa-oh.
You'll never take us alive. Whoa-oh. Whoa-oh.
You'll never take us alive.

For the last time I, give myself to the enemy
By letting their words just walk all over me
Cause people, they'll tear you apart
If you are not like them, and we are different
Let the war begin

So, we say,
You can't bleed, can't change, can't take us down (we run this town)
We'll stand, we'll fight, set fires all night
Youll never take us alive. Whoa-oh. Whoa-oh.
You'll never take us alive. Whoa-oh. Whoa-oh.
You'll never take us alive.

There's no fear inside
This is our time, no giving up.
When we connect our hearts to our minds,
There's no stopping us.

So, we say,
You can't bleed, can't change, can't take us down (we run this town)
We'll stand, we'll fight, set fires all night
Youll never take us alive. Whoa-oh. Whoa-oh.
You'll never take us alive. Whoa-oh. Whoa-oh.
You'll never take us alive

[by Madina Lake]

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Resolvi tomar uma atitude e fazer alguma coisa pela minha vida.
Não volto pra Beagá depois das férias.
Chega.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Just Do It



Just do it
Just do it
Just do it

Just do it do it do it cause you want it
Just do it do it do it cause you like it
Do it do it do it cause you feel it
Not because you saw it

You can do a song
Cook your food
Clean your house
You can use a thong
Be so rude
Kiss my mouth

You can pierce your nose
Sew your clothes
Dance alone
You can make some friends
Form a band
Or sing along

Just do it cause you want it
Not because you saw it
Just do it cause you want it
Not because you saw it, not because you saw it, yeah!

Just change it change it change it cause you want it
Just change it change it change it cause you like it
Change it change it change it cause you feel it
Not because you saw it

You can change your hair
Change your house
Change your life
You can change you sex
Change your friends
Change your wife

You can change your shoes
Change your pants
Change your style
You can change your face
Change your boobs
Change your smile

Just change it cause you want it
Not because you saw it
Just change it cause you want it
Not because you saw it, not because you saw it, yeah!

[by Copacabana Club]

sábado, 18 de julho de 2009

Peso

O cutelo pingava sangue de vaca.
Eles gostam de ver que você é um vegetal.
O Grane Cthulhu nem sabe que você está ali.
O que você vai fazer? O que você está esperando?
É preciso se embriagar de alguma coisa. O peso do mundo é insustentável. Tudo será esquecido e nada será reparado.
Quem sou eu? Que merda eu estou fazendo?
Se eu soubesse antes o que sei agora, iria embora antes do final (.)(?)
Não faz. Não faz nada.
O cheiro do gás quando o cigarro é aceso.
Fumar é suspirar sutilmente.
As plantas murcham lentamente no jardim.
O que você faz?
Não há sentido da vida. Não há sentido na vida.
E contudo você está aqui. Sem começo, sem final. Só o desvio.
Só a sua humanidade arrancada de você e a isuportável condição humana de ser mortal. A insuportável angústia de acabar. Sem fim. Sem começo. Só o desvio.
Estar parado e ver os prédios cruzando o horizonte, bloqueando a luz do pôr-do-sol.
Viver. Apodrecer, ainda respirando. Por dentro.
Fazer alguma coisa que não tem significado.
Som e fúria.
Tempestade e ímpeto.
Sangue pingando das feridas abertas. O cutelo manchado de vermelho. A vaca é você. Só você. E a sua carne não vale nada.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Roedores

Ninguém chama minha porquinha da índia de Cajuzinho, porquinha ou algo que o valha. Para todo mundo, ela é o rato, a hamster, alguma coisa assim. Ela continua sendo a minha porquinha da índia (e guincha muito).
Tem medo de mim. Primeiro ficava muito quietinha num canto do seu recipiente, deixava a gente passar a mão e pegar com nada mais que guinchos. Depois que a pusemos no aquário espaçoso, com comida, água, cano de PVC para brincar e tocos de madeira, ela começou a ficar arisca. Eu acho que é porque agora ela acha que conhece bem o ambiente e pode se esconder. Mas é só fazer um pouco de carinho nela e dar o bote. Hoje eu bobeei e ela quase escapou. Mas tive o pulso forte, segurei firme, levei umas unhadas, mas ela continua no aquário, o pelo todo manchadinho de amarelo, preto e marrom.

Desde as aulas de Psicologia Experimental Prática I na faculdade eu ando querendo criar um ratinho. Eu queria a Brigitte, a minha Ratus norvegicus albinus treinada para apertar a barra e beber água na caixa de Skinner. Mas não pude. Tem um tempo já que eles pararam de doar os sujeitos experimentais para os alunos, graças aos problemas com devoluçõs de animais. Então, quando um dia desses eu estava passando em frente a uma loja de produtos agropecuários e veterinários, eu vi coelhos e porquinhos da índia em gaiolinhas na porta, eu não tive dúvidas. Perguntei o preço, condições de criação, e fui embora disposta a dar um lar a um daqueles bicinhos.

Coelho cresce demais e demanda muito espaço. Mas porquinho não. Quando muito, ele chega a pesar uns 600g. Come verduras, legumes, ração, mistura para papagaio (sementes de girassol, milho verde, farelo...). Hoje ela teve um banquete: ração, mistura para papagaio e casca de batata. Depois de encher ela de comida, o pior foi limpar a casinha.

Eu e o Lúcio arrumamos um aquário grande, que vazava, enchemos de serragem. Comprei umas vasilhinhas para ração e água que têm um formato especial que impede que elas sejam derrubadas pelo bichinho. Hoje achamos o sanitário da Cajuzinho. Ela escolheu o canto oposto ao da comida/água, perto do cano de PVC. Recolhemos a serragem em volta e pusemos serragem fresca. Amanhã vou com o Hugo na serralheria buscar mais uns dois sacos de serragem. Estoque. Tem meia sacola do ABC ainda.

A Cajuzinho adorou o cano. Ela se enfia lá o tempo todo, para comer, brincar, esconder...

A porquinha é o meu primeiro bicho de estimação de verdade. Meus pais sempre tiveram cachorro, e em tese o Willy, o poodle, era meu. Mas eu nem brincava com ele, nem cuidava dele. A Cajuzinho é toda minha e do Lúcio. Ela vai morar no quarto dele, em Beagá, mas eu vou estar lá sempre para cuidar, vou comprar a ração e arrumar a serragem pro aquário.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Banalidades

Eu acho engraçado como todo mundo adora reclamar que o mundo tá de pernas pro ar...
E tá mesmo. Concordo. Isso aqui já passou há muitos séculos os limites do absurdo, ou melhor, do nonsense. Uma piada sem graça nenhuma digna de Lewis Carroll.

Mas sabe o que é ainda mais engraçado? Ninguém faz absolutamente nada pra consertar as coisas. Ou, quando muito, manda uma corrente chata cheia de anexos inúteis que será considerada spam por 90% das pessoas que receberem. Eu recebo umas dessas mais ou menos uma vez por semana. Se resolvesse alguma coisa o Sarney nunca teria sido presidente do Senado, talvez o Collor de Mello não seria reeleito senador. Talvez assim os preços não subissem tanto, as pessoas não fossem tão desonestas entre si.

Mas não resolve. Até hoje, no alto dos meus 19 anos de assídua leitura e estudo de História, nunca vi nada que resolvesse alguma coisa. As coisas, quando mudam, se mudam, acabam piorando ao invés de melhorar.

A toca do coelho é escura, suja, fétida, e infinita. E não é apenas um sonho. É um pesadelo sem fim nem começo, e daqueles que se pode tocar.

Reclamar é muito fácil. Eu mesma faço isso direto. Sou a pessoa mais reclamadora que existe. Xingar, isso eu sei fazer direito. Todo mundo sabe. Mas ninguém sabe fazer mais nada. Ninguém muda, apesar do ditado que diz "nothing less people change".

Outro dia eu vi uma propaganda muito interessante, que ilustra bem o meu ponto de vista (o mesmo trabalhado pela Hannah Arendt). A criança vê uma outra criança em uma situação lamentável, comendo lixo, dormindo na rua, passando frio/fome etc. Avisa pro adulto que a acompanha. O adulto nada vê, age como se fosse mentira. O narrador diz: "você acaba vendo isso tanto no dia a dia que se acostuma e para de enxergar".

Essa é a banalidade: por pior que seja, com o tempo você passa a ignorar, porque fica normal.
Então é normal ter gente morrendo de fome/frio nas ruas. É normal ter gente comendo lixo. É normal uns terem tudo e outros nada. É normal político ser corrupto. É normal o governo não fazer nada a não ser cobrar imposto (e ele cobra direitinho...). É normal ver tudo dando errado.

E como é normal, as vozes de quem não acha isso tudo normal são silenciadas. Viram spam.
Agir como?, se com o tempo você deixa de ser normal? Se com o tempo você passa a ser considerado um sonhador, um esquerdista de merda que é esculachado pela Veja toda semana, uma Alice do mundo real?

Vou morrer e tudo isso vai continuar assim, depois de mim. A geração depois da minha, meus priminhos que hoje são crianças inocentes com 2 ou 3 anos de idade, vão encontrar um mundo igual ou pior que o meu, uma existência igual ou pior que a mnha. Será que eles serão Alices dilaceradas no meio do nonsense como eu? Ou será que eles serão normais? Será que eles serão cegos?
Será que eles farão alguma coisa que valha a pena? Ou morrerão como eu, pensando que poderiam ter passado sem esse desvio pela vida, sem esse acúmulo inútil e sem sentido de banalidades e desgraças?

Será que sou só eu que sou assim?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Steps

Cansaço.
A vida inteira, anos esticados em décadas, resumida em uma pequena palavra de sete letras.

A gente tem várias opções de viver. Pode viver de passado, de presente, de futuro. Todas elas acabam do mesmo jeito: tédio e cansaço.
O jeito seria não dividir a vida em espaços de tempo. Mas não tem como.

Então a gente escolhe um jeito e vai. Até cansar.
E depois de cansar a gente para e espera.

Eis tudo resumido.

E assim eu poderia começar bem uma autobiografia. Mas nem compensa escrever uma autobiografia, pois seria apenas a descrição maçante de anos empurrados com a barriga e por fim a espera. Seria a descrição do medo e da angústia de estar vivo e não ter motivo para isso. Buscar coisinhas e coisas e coisonas que a gente acha que vai, enfim, dar um sentido à existência. Mas elas não dão sentido a nada. Os filhos só fazem a gente sentir mais medo da morte, mais medo da vida. Aumenta a ganância pelo dinheiro que nos mantém sobrevivendo, e a repulsa inconsciente desse estado nojento a que chegamos.

Onde chegamos?

Nem sei mais onde cheguei.

Sei que o tempo é pouco para não se fazer nada e no fim morrer. Ou se tentar fazer alguma coisa que no fim se mostra inútil.

"Mas a vida é assim mesmo." Claro que é.

No fim eu só me sinto cansada dessa caminhada cheia de pedras, partindo do nada e indo a lugar nenhum. Cansada de fingir ser plástico e circuitos eletrônicos. Cansada de ser - ou não ser? - alguma coisa e nada.

A vida inteira, anos esticados em décadas, desperdiçada.

Mas o que mais eu poderia fazer?

domingo, 5 de julho de 2009

Arte de Fumar

"Desconfia dos que não fumam:
esses não têm vida interior, não tem sentimentos.
O cigarro é uma maneira sutil e disfarçada de suspirar"

[by Mário Quintana]

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Línguística

Vou mudar de curso. Vou fazer Letras, Linguística ou Alemão.
Venho pensando nisso há algum tempo já, na verdade desde que eu entrei na Psicologia e cheguei à conclusão que eu não presto pra ser psicóloga.
Aí a vontade ficou mais forte quando eu tomei pau em Estatística II, entrei no curso de alemão e tive umas crises feias de depressão que me fizeram parar de assistir aulas.

Eu já comecei (não necessariamente terminei) a estudar um monte de línguas. Falo e escrevo bem em Inglês faz tempo, estudei Esperanto quando tinha uns 14, 15 anos, enrolo um pouco em Espanhol (quando se trata de Shakira e Pablo Neruda, claro, no mais eu sou analfabeta em Espanhol), comecei a ficar curiosa com o Japonês/Nihongo quando conheci o Lúcio e estudo Alemão (comecei aos 15 ou 16, não lembro, mas esse ano entrei num curso pra levar a sério).

Escrevi um post há alguns dias com um conto que pensei em Montes Claros. Na verdade eu acordei na quinta-feira com as frases rolando na minha mente, pensei nele a viagem toda, e escrevi quando cheguei em Montes Claros e tive tempo pra ligar o notebook. Reassaltei num P.S. porque postei ele em inglês e não em português, assumindo (talvez erroneamente) que as pessoas que leem o Makaber sabem inglês como eu. Um seguidor respondeu que o inglês é um idioma gramatical e semanticamente pobre e que eu me expressaria melhor em qualquer língua. Eu respondi expondo meu ponto de vista contrário ao dele.
A partir daí o Lúcio me pediu pra escrever um texto sobre isso no Makaber, falando um pouco do que eu conheço sobre línguas.

Bem, amor, cá está o meu textículo sobre linguística.

Eu já escrevi um tempo atrás, em dois posts, sobre o que eu penso sobre a reforma ortográfica, e neles expus o que eu penso sobre o que é um idioma.
Repetirei as minhas ideias aqui para quem não leu esses posts.

Eu acredito que o idioma é uma parte fundamental da cultura de um povo. Como estudante de Psicanálise e Neurociências na faculdade de Psicologia, pude perceber o quanto a capacidade da fala é fundamental para o ser humano, diferenciando-nos das outras espécies. O ser humano só se configura como tal através da linguagem. Giorgio Agamben, filósofo italiano que eu muito admiro, explicita isso no seu livro A Linguagem e A Morte, onde analisa a relação dialética, presente na obra de Heidegger, entre o Ser (Dasein), a Linguagem e a Morte. O ser humano é fundamentalmente um animal simbólico, e é a capacidade da fala que expressa esses símbolos.

Em Psicanálise, assume-se que a linguagem é um resquício das perdas objetais do organismo quando este se desenvolve em civilização; i.e. você fala "cadeira" porque não possui uma cadeira de verdade, concreta, para apontar. A linguagem é a lembrança daquilo que foi perdido na concretude e o indivíduo precisa representar através de símbolos.

Portanto, a relação do ser humano com a linguagem é fundamental.

Em biologia, a especificação ocorre quando as espécies são separadas por distâncias ou obstáculos geográficos. A mesma coisa ocorre com a língua. A língua é um ser vivo, que passa por todas as mesmas fases que um organismo biológico passa (nascimento, desenvolvimento, reprodução e morte). Portanto, deve ser encarada e preservada como tal. Eu já tinha usado esse argumento anteriormente para justificar minha recusa em aceitar a reforma ortográfica que unifica dialetos do Português em fase de "especiação".

Agora vou usar esse mesmo argumento para justificar porque eu acho que o inglês é uma língua muito adequada para se escrever. Tá certo, eu tenho que admitir que as línguas latinas são muito mais melodiosas, "redondas", que as línguas germânicas (o inglês É uma língua germânica, desde sempre). Mas isto não significa que não seja adequada. Ao contrário, o fato de ser uma língua com vocabulário cheio de ambivalências pode ser uma vantagem. Em literatura, ambivalências são muito úteis. A aridez, rigidez das línguas germânicas também pode ser um recurso importante em literatura. Livros como O Clube da Luta (Fight Club) ou Blue Belle não ficam bem em português, já que são livros que utilizam esse recurso de ambivalências semânticas e secura no estilo e no ritmo. Eu li Blue Belle em português primeiro, depois em inglês, e terminei de ler assustada: não era o mesmo livro, não era a mesma história.

Eu tive a oportunidade de ler Shakespeare e Goethe no original, e percebi que ficam muito mais bonitos no vernáculo natal. Acredito que a qualidade do escritor em aproveitar essas características de seu idioma é importante para a qualidade final do texto.

Não sei se posso me considerar uma boa escritora, mas eu tenho esse processo internalizado, então acho fácil ler e escrever em inglês e perceber a beleza e a riqueza desse idioma. Mais ainda do que o Português, que apesar de ser meu idioma materno, eu conseidero feio e maçante.

PS: O Português é, além de tudo, uma língua machista. Sempre se fala/escreve em masculino os plurais, mesmo que substantivos femininos estejam incluídos nesse plural. No Alemão, apesar de ser um idioma surgido numa região conflituosa e machista da Europa, ocorre o contrário. Todos os plurais em Alemão são femininos (artigo Die). Interessante isso...
"Espero que a partida seja boa. E espero não voltar nunca mais."
Frida Kahlo