"Estar vivo, enfim, é uma grave responsabilidade."
Lya Luft
"There's no point in living when you can't feel alive."
Garbage, The World Is Not Enough

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Cidade Grande



Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima-rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.

(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Running wild

That day, I will never forget that day.
She was surprisingly not crying at all. She broke all the glasses in the house, and I could see her blood through the little piercing pieces of glasses spread in the floor. She was screaming and breaking the jars and cups and dishes. And she was not crying. I never saw a crisis like this one before. She was not talking about killing herself, not even talking about death. She was all rage. For the first time I saw her totally and utterly aggressive.
And by all those signs I came to a terrible conclusion: she was about to die.

I didn’t want to cry. It was strange, but I didn’t want to die at all. I wanted just to kill. And I tried, with all my strength. There’s no glass left in the apartment. I took care of all them.
That was the first time I really felt alive. But life’s short for me.

The psychiatrist told she was ill. Prescribed some pills and rest. I needed to take care of her, watch her, never let her alone. Of course it was arduous, but I loved her. I really wanted to keep her alive. So I went on.

Medication? I never took a little pill to sleep. None noticed. Too easy to put it in my mouth, under my tongue, then took it out and put in a bottle. I gathered almost 50 pills, between sedatives and antidepressants. Then I thought it was time to move on. Ever.

I convinced her to go to college, to meet new people, to go out and get some fun. She was always silent and resigned. I assumed it was the medication, the changes, the crisis still in her mind. Then I act as if nothing happened, as if she was all right and I made plans and guessed our future together.
But my plans would never concretize.

Two months. Time flowed slow, drop over drop. My mind was clear. My day has come, finally. It was hard to get some time all alone. Everyone now is trying to protect me from myself. But nothing I couldn’t solve, after two months of treatment and some fake smiles.
Almost fifty pills and some alcohol. And then, at least, freedom.

Part of me is inside that coffin, dead and rotting. Part of me is gone forever. Part of me will never come back. But I still cannot know which part of me gone with her.

[O conto foi pensado e escrito em inglês e eu não me dei ao trabalho de traduzir, ainda, porque acho que na língua portuguesa não vou conseguir expressar tudo aquilo que eu quero em inglês.]

terça-feira, 23 de junho de 2009

Surfando Karmas e DNA



Quantas vezes eu estive cara à cara com a pior metade?
A lembrança no espelho, a esperança na outra margem
Quantas vezes a gente sobrevive à hora da verdade?
Na falta de algo melhor nunca me faltou coragem

Se eu soubesse antes o que sei agora
Erraria tudo exatamente igual

Tenho vivido um dia por semana... acaba a grana, mês ainda tem
Sem passado nem futuro, eu vivo um dia de cada vez
Quantas vezes eu estive cara à cara com a pior metade?
Quantas vezes a gente sobrevive à hora da verdade?

Se eu soubesse antes o que sei agora
Iria embora antes do final

Surfando karmas e DNA
Não quero ter o que eu não tenho
Não tenho medo de errar
Surfando karmas e DNA
Não quero ser o que eu não sou
Eu não sou maior que o mar

Surfando karmas & dna
Na falta do que fazer, inventei minha liberdade

Surfando karmas e DNA
Não quero ter o que eu não tenho
Não tenho medo de errar
Surfando karmas e DNA
Não quero ser o que eu não sou
Eu não sou maior que o mar

[by Engenheiros do Hawaii]

sábado, 20 de junho de 2009

Futuro

"[...] olhar as estrelas e o formato das pedras. Ter filhos. Dirigir um carro. Estudar. Comer uma garota. Ficar bêbado. Ter crises de choro. Ouvir alguém a lhe pedir conselhos. Depositar a mão à cabeça de um sobrinho. Ter um emprego. Trabalhar. Dar esmola. Entrar em uma fila, como todo mundo. Conhecer o garçom de um restaurante. Apertar mãos com firmeza. Cumprimentar outroc homens com tapas nas costas que causam estalido. Fumar um cigarro. Falar para uma garota que ela é muito nova. Entregar o cartão de visita. Saber o nome de companhias aéreas. Ter asma. Sinusite. Casar-se. Ser reconhecido na rua por um antigo colega de classe. Beijar de olhos fechados. Ser um canalha. Ser amoroso. Ser romântico. Pescar. Cozinhar. Ser sincero. Tocar algum instrumento musical. Saber brigar. Ir ao Japão. Ser tímido. Dormir pouco. Subir no telhado de algum edifício, acompanhado, e observar as estrelas, as pedras. [...] nada disso é mais possível, nenhuma dessas coisas pode ser feita, por mim ou por seja lá quem for. Seria estúpido pensar de modo contrário e você sabe disso. Mas ontem mesmo, [...] estudei a forma de algumas pedras [...] gostaria de falar usando um jargão, qualquer jargão, mas isso é impossível, não apenas para mim. O problema é que o homem se tornou inviável [...] irremediávelmente kitsch, eis tudo."

[Trecho do conto Futuro, de Fernando Burjato. Do livro "Cabeça, Corpo, Caveira e Alma".]

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Digressões econômicas

Confesso que matemática nunca foi meu forte, principalmente depois que eu passei das inofensivas e inúteis equações de segundo grau (x= -b +- raiz de delta / 2a, sendo delta= b² - 4ac) para as análises de dados no SPSS.

Mas quando eu resolvi que vou prestar vestibular de novo eu comecei a ouvir a rádio CBN (a rádio que toca notícia) todos os dias na ida e a na volta da faculdade.
Sabe, eu descobri que gosto de ouvir rádio de notícias. Tanta coisa interessante acontecendo... Bem, hoje teve uma notícia legal.

Quam esteve no planeta nos últimos dois anos sabe que tem uma crise econômica rolando. Crise essa provocada por um bando de gananciosos que emprestaram dinheiro a quem não podia pagar até chegar num ponto em que todo mundo está sofrendo as consequências. O grande problema de crises no sistema capitalista é o efeito cíclico. Vou desenhar.

Você começa a ter prejuízo, por um motivo qualquer. Aí você começa a cortar gastos para diminuir o prejuízo e voltar a lucrar. O primeiro corte é sempre no pessoal. Aí, raciocine comigo, caro leitor eventual: o que acontece quando você despede pessoal? Você automaticamente manda um monte de gente para engrossar as filas do desemprego e diminui o mercado consumidor. Gente comprando menos significa gente vendendo menos. Aí as empresas produzem mais do que é absorvido pelo mercado. Aí tem mais prejuízo, mais desemprego, mais retração, e por aí vai...

A solução que eu, pobre analfabeta econômica, penso ser a mais adequada seguindo a minha pobre lógica, é a reinserção de gente no mercado de trabalho, e consequentemente no mercado consumidor, ao invés de sair despedindo pessoal para cortar gastos. Concordam comigo? Os empresários, executivos e etc não. Eles acham que isso é culpa do governo. Culpa dos juros e impostos altos. Então o governo que conserte isso. O governo que injete dinheiro na economia e crie postos de trabalho. O governo dos EUA fez isso em 1929. O governo do Obama ta fazendo isso de novo, agora em 2009.

Será o suficiente? Não sei. Sou analfabeta.

Voltando à rádio. Saiu uma notícia interessante hoje. A notícia era sobre uma lista com os dados do desemprego nos EUA, acho que no período de abril e maio. A notícia do desemprego de 345 mil pessoas foi comemorada pelo mercado. O dólar até subiu. As ações também. Peraí - 345 mil pessoas são mandadas para fora do mercado de trabalho e do mercado consumidor e esses caras comemoram? A resposta é simples: o resultado ruim é melhor do que o esperado, que era uns 505 mil desempregos.

A conclusão dos chefões é que a crise parou de piorar. Que a tendência é ir diminuindo até estancar e depois voltar a crescer devagarinho, a ritmo de tartaruga, depois ir acelerando. Essa é a teoria. Vai dar certo? Não sei. Espero que sim.

O capitalismo é injusto. Sou comunista. Acho que as pessoas deveriam ter mais contato com aquilo que fazem. Viver, e não sobreviver cada dia. Que pessoas não deveriam morrer de fome por causa da má distribuição de renda. Que todos deveriam ter acesso a condições básicas de existência e não ficarem a mercê dos lucros alheios.

Isso tudo me deixa indignada ao ponto de às vezes me causar uma crise de depressão. Esse definitivamente não é o mundo em que eu queria morar. Essas pessoas não são as que eu queria ter como "vizinhas". Essa vida é mesmo muito cruel. Ninguém vai fazer nada para mudar; quem tentou foi escorraçado brutalmente. Então eu também já desisti de querer fazer alguma coisa. Vou levando até onde dá. No dia em que esse enjoamento vire um verdadeiro vômito, eu dou um jeito de cair fora. Afinal de contas, a esquisita sou eu, né. O resto é o normal, o certo, o comum. Eu sou a estranha, a anormal, a revoltada, a diferente. Então qualquer dia desses eu vou ter que sair daqui, que não é, definitivamente, lugar pra gente como eu. Gente fraca, covarde e nunca submissa. Fazer o quê.
"Espero que a partida seja boa. E espero não voltar nunca mais."
Frida Kahlo