Estudando pro vestibular de novo, me deparei novamente com a Revolução Francesa, marco do fim da Idade Moderna e início da Idade Contemporânea.
Interessante ver as conquistas dessa revolução, que acabou implodindo o prédio já bem podre do feudalismo e legitimando a burguesia e o capitalismo. A revolução decapitou reis e (re)inventou a república. E mais uma conquista muito importante, e quase não lembrada no Brasil e nos EUA: a laicização do Estado, ou seja, separação entre religião (normalmente a Igreja Católica) e Estado.
O Henrique VIII da Inglaterra, ainda no século XVI, rompeu com a Igreja Católica, mas não criou o Estado laico. Ele simplesmente rompeu com o Papa e inventou uma religião e uma igreja novas para consolidar o absolutismo em seu país. Não houve separação nenhuma entre poder espiritual e temporal.
Essa separação mesmo só veio na Revolução francesa. A França foi berço de vários pensadores, tais como Voltaire, Diderot, D'Alembert, Rousseau, entre outros. Um pequeno país com manufaturas um pouco desenvolvidas e sociedade ainda estamental; nobres parasitas da monarquia; burguesia limitada em seu desenvolvimento pelas forças feudalistas da sociedade; alto clero muito poderoso.
Alguns líderes da Revolução eram ateus (tais como Danton) e outros eram deístas mas a-religiosos (como Robespierre) [reparem que eu só citei jacobinos]. Mas laicização na verdade nada tem a ver com ateísmo. O Estado laico surge de um desenvolvimento daquele direito que aparece em constituições: liberdade de culto e crença.
Por exemplo: no Brasil, crucifixos são afixados nas paredes de repartições públicas, como fóruns, cartórios, congresso nacional. No começo do ano assumiu no Rio de Janeiro um juiz judeu. O que ele fez: mandou retirar o crucifixo. Nada mais justo. Isso devia ser previsto em lei, no meu modo de ver. Quer dizer que você garante na Constituição Cidadã de 1988 a liberdade de crença e culto mas oprime todas as outras religiões "minoritárias" apregando crucifixos nos espaços de um Estado que se diz laico? Algumas pessoas - católicas - provavelmente vão pensar "ah! mas tirar o crucifixo é um pecado! O Brasil tem uma raiz católica muito forte, isso não vai desaparecer assim, com uma lei".
Uma pena que ainda existam pessoas com pensamento anterior a 1789.
Não pretendo aqui atacar qualquer religião. Longe de mim. Quero atacar apenas quem insiste em manter uma relação, uma não-diferenciação que não deveria mais existir há uns 2 ou 3 séculos já. Poder temporal e poder espiritual são coisas diferentes, distintas e totalmente não-relacionadas entre si. O Estado não deve se ater a nenhuma religião, seja ela qual for, seja qual for a tradição histórica relativa a essas instituições tão diferentes.
O Estado laico deveria ser uma realidade e infelizmente, como muita coisa assegurada pela Constituição de 1988, permanece um ideal secular, mofado e totalmente utópico. Como por exemplo, a igualdade entre as pessoas num mundo capitalista e injusto. Mas isso fica prum outro dia.
Interessante ver as conquistas dessa revolução, que acabou implodindo o prédio já bem podre do feudalismo e legitimando a burguesia e o capitalismo. A revolução decapitou reis e (re)inventou a república. E mais uma conquista muito importante, e quase não lembrada no Brasil e nos EUA: a laicização do Estado, ou seja, separação entre religião (normalmente a Igreja Católica) e Estado.
O Henrique VIII da Inglaterra, ainda no século XVI, rompeu com a Igreja Católica, mas não criou o Estado laico. Ele simplesmente rompeu com o Papa e inventou uma religião e uma igreja novas para consolidar o absolutismo em seu país. Não houve separação nenhuma entre poder espiritual e temporal.
Essa separação mesmo só veio na Revolução francesa. A França foi berço de vários pensadores, tais como Voltaire, Diderot, D'Alembert, Rousseau, entre outros. Um pequeno país com manufaturas um pouco desenvolvidas e sociedade ainda estamental; nobres parasitas da monarquia; burguesia limitada em seu desenvolvimento pelas forças feudalistas da sociedade; alto clero muito poderoso.
Alguns líderes da Revolução eram ateus (tais como Danton) e outros eram deístas mas a-religiosos (como Robespierre) [reparem que eu só citei jacobinos]. Mas laicização na verdade nada tem a ver com ateísmo. O Estado laico surge de um desenvolvimento daquele direito que aparece em constituições: liberdade de culto e crença.
Por exemplo: no Brasil, crucifixos são afixados nas paredes de repartições públicas, como fóruns, cartórios, congresso nacional. No começo do ano assumiu no Rio de Janeiro um juiz judeu. O que ele fez: mandou retirar o crucifixo. Nada mais justo. Isso devia ser previsto em lei, no meu modo de ver. Quer dizer que você garante na Constituição Cidadã de 1988 a liberdade de crença e culto mas oprime todas as outras religiões "minoritárias" apregando crucifixos nos espaços de um Estado que se diz laico? Algumas pessoas - católicas - provavelmente vão pensar "ah! mas tirar o crucifixo é um pecado! O Brasil tem uma raiz católica muito forte, isso não vai desaparecer assim, com uma lei".
Uma pena que ainda existam pessoas com pensamento anterior a 1789.
Não pretendo aqui atacar qualquer religião. Longe de mim. Quero atacar apenas quem insiste em manter uma relação, uma não-diferenciação que não deveria mais existir há uns 2 ou 3 séculos já. Poder temporal e poder espiritual são coisas diferentes, distintas e totalmente não-relacionadas entre si. O Estado não deve se ater a nenhuma religião, seja ela qual for, seja qual for a tradição histórica relativa a essas instituições tão diferentes.
O Estado laico deveria ser uma realidade e infelizmente, como muita coisa assegurada pela Constituição de 1988, permanece um ideal secular, mofado e totalmente utópico. Como por exemplo, a igualdade entre as pessoas num mundo capitalista e injusto. Mas isso fica prum outro dia.




O Estado CONTINUA laico. Estado religioso é aquele que baseia suas LEIS em dogmas religiosos, nada relacionado a símbolos culturais nas paredes.
ResponderExcluirEssa proibição é SIM só mais um dos muitos movimentos de minorias organizadas contra maiorias silenciosas.
Não entendo a discriminação - "católicos provavelmente vão reclamar" - como se evangélicos não tivessem também motivos para reclamarem quando parte de sua cultura é suprimida.
Se eu for um cristão e estiver na turquia (laica) e tiver uma crescente pregada na porta do juiz eu vou RESPEITAR a cultura da maioria do povo lá. Não me ofendo com quem pensa diferente.
Pergunta pro juiz se ele acha errado que haja uma estrela de david na BANDEIRA e nas repartições de israel. Ah ele mora no brasil? Que é um país de 90% de cristãos, católicos ou não.
Mas catolicismo é o burro de carga, né?