Vou mudar de curso. Vou fazer Letras, Linguística ou Alemão.
Venho pensando nisso há algum tempo já, na verdade desde que eu entrei na Psicologia e cheguei à conclusão que eu não presto pra ser psicóloga.
Aí a vontade ficou mais forte quando eu tomei pau em Estatística II, entrei no curso de alemão e tive umas crises feias de depressão que me fizeram parar de assistir aulas.
Eu já comecei (não necessariamente terminei) a estudar um monte de línguas. Falo e escrevo bem em Inglês faz tempo, estudei Esperanto quando tinha uns 14, 15 anos, enrolo um pouco em Espanhol (quando se trata de Shakira e Pablo Neruda, claro, no mais eu sou analfabeta em Espanhol), comecei a ficar curiosa com o Japonês/Nihongo quando conheci o Lúcio e estudo Alemão (comecei aos 15 ou 16, não lembro, mas esse ano entrei num curso pra levar a sério).
Escrevi um post há alguns dias com um conto que pensei em Montes Claros. Na verdade eu acordei na quinta-feira com as frases rolando na minha mente, pensei nele a viagem toda, e escrevi quando cheguei em Montes Claros e tive tempo pra ligar o notebook. Reassaltei num P.S. porque postei ele em inglês e não em português, assumindo (talvez erroneamente) que as pessoas que leem o Makaber sabem inglês como eu. Um seguidor respondeu que o inglês é um idioma gramatical e semanticamente pobre e que eu me expressaria melhor em qualquer língua. Eu respondi expondo meu ponto de vista contrário ao dele.
A partir daí o Lúcio me pediu pra escrever um texto sobre isso no Makaber, falando um pouco do que eu conheço sobre línguas.
Bem, amor, cá está o meu textículo sobre linguística.
Eu já escrevi um tempo atrás, em dois posts, sobre o que eu penso sobre a reforma ortográfica, e neles expus o que eu penso sobre o que é um idioma.
Repetirei as minhas ideias aqui para quem não leu esses posts.
Eu acredito que o idioma é uma parte fundamental da cultura de um povo. Como estudante de Psicanálise e Neurociências na faculdade de Psicologia, pude perceber o quanto a capacidade da fala é fundamental para o ser humano, diferenciando-nos das outras espécies. O ser humano só se configura como tal através da linguagem. Giorgio Agamben, filósofo italiano que eu muito admiro, explicita isso no seu livro A Linguagem e A Morte, onde analisa a relação dialética, presente na obra de Heidegger, entre o Ser (Dasein), a Linguagem e a Morte. O ser humano é fundamentalmente um animal simbólico, e é a capacidade da fala que expressa esses símbolos.
Em Psicanálise, assume-se que a linguagem é um resquício das perdas objetais do organismo quando este se desenvolve em civilização; i.e. você fala "cadeira" porque não possui uma cadeira de verdade, concreta, para apontar. A linguagem é a lembrança daquilo que foi perdido na concretude e o indivíduo precisa representar através de símbolos.
Portanto, a relação do ser humano com a linguagem é fundamental.
Em biologia, a especificação ocorre quando as espécies são separadas por distâncias ou obstáculos geográficos. A mesma coisa ocorre com a língua. A língua é um ser vivo, que passa por todas as mesmas fases que um organismo biológico passa (nascimento, desenvolvimento, reprodução e morte). Portanto, deve ser encarada e preservada como tal. Eu já tinha usado esse argumento anteriormente para justificar minha recusa em aceitar a reforma ortográfica que unifica dialetos do Português em fase de "especiação".
Agora vou usar esse mesmo argumento para justificar porque eu acho que o inglês é uma língua muito adequada para se escrever. Tá certo, eu tenho que admitir que as línguas latinas são muito mais melodiosas, "redondas", que as línguas germânicas (o inglês É uma língua germânica, desde sempre). Mas isto não significa que não seja adequada. Ao contrário, o fato de ser uma língua com vocabulário cheio de ambivalências pode ser uma vantagem. Em literatura, ambivalências são muito úteis. A aridez, rigidez das línguas germânicas também pode ser um recurso importante em literatura. Livros como O Clube da Luta (Fight Club) ou Blue Belle não ficam bem em português, já que são livros que utilizam esse recurso de ambivalências semânticas e secura no estilo e no ritmo. Eu li Blue Belle em português primeiro, depois em inglês, e terminei de ler assustada: não era o mesmo livro, não era a mesma história.
Eu tive a oportunidade de ler Shakespeare e Goethe no original, e percebi que ficam muito mais bonitos no vernáculo natal. Acredito que a qualidade do escritor em aproveitar essas características de seu idioma é importante para a qualidade final do texto.
Não sei se posso me considerar uma boa escritora, mas eu tenho esse processo internalizado, então acho fácil ler e escrever em inglês e perceber a beleza e a riqueza desse idioma. Mais ainda do que o Português, que apesar de ser meu idioma materno, eu conseidero feio e maçante.
PS: O Português é, além de tudo, uma língua machista. Sempre se fala/escreve em masculino os plurais, mesmo que substantivos femininos estejam incluídos nesse plural. No Alemão, apesar de ser um idioma surgido numa região conflituosa e machista da Europa, ocorre o contrário. Todos os plurais em Alemão são femininos (artigo Die). Interessante isso...
Venho pensando nisso há algum tempo já, na verdade desde que eu entrei na Psicologia e cheguei à conclusão que eu não presto pra ser psicóloga.
Aí a vontade ficou mais forte quando eu tomei pau em Estatística II, entrei no curso de alemão e tive umas crises feias de depressão que me fizeram parar de assistir aulas.
Eu já comecei (não necessariamente terminei) a estudar um monte de línguas. Falo e escrevo bem em Inglês faz tempo, estudei Esperanto quando tinha uns 14, 15 anos, enrolo um pouco em Espanhol (quando se trata de Shakira e Pablo Neruda, claro, no mais eu sou analfabeta em Espanhol), comecei a ficar curiosa com o Japonês/Nihongo quando conheci o Lúcio e estudo Alemão (comecei aos 15 ou 16, não lembro, mas esse ano entrei num curso pra levar a sério).
Escrevi um post há alguns dias com um conto que pensei em Montes Claros. Na verdade eu acordei na quinta-feira com as frases rolando na minha mente, pensei nele a viagem toda, e escrevi quando cheguei em Montes Claros e tive tempo pra ligar o notebook. Reassaltei num P.S. porque postei ele em inglês e não em português, assumindo (talvez erroneamente) que as pessoas que leem o Makaber sabem inglês como eu. Um seguidor respondeu que o inglês é um idioma gramatical e semanticamente pobre e que eu me expressaria melhor em qualquer língua. Eu respondi expondo meu ponto de vista contrário ao dele.
A partir daí o Lúcio me pediu pra escrever um texto sobre isso no Makaber, falando um pouco do que eu conheço sobre línguas.
Bem, amor, cá está o meu textículo sobre linguística.
Eu já escrevi um tempo atrás, em dois posts, sobre o que eu penso sobre a reforma ortográfica, e neles expus o que eu penso sobre o que é um idioma.
Repetirei as minhas ideias aqui para quem não leu esses posts.
Eu acredito que o idioma é uma parte fundamental da cultura de um povo. Como estudante de Psicanálise e Neurociências na faculdade de Psicologia, pude perceber o quanto a capacidade da fala é fundamental para o ser humano, diferenciando-nos das outras espécies. O ser humano só se configura como tal através da linguagem. Giorgio Agamben, filósofo italiano que eu muito admiro, explicita isso no seu livro A Linguagem e A Morte, onde analisa a relação dialética, presente na obra de Heidegger, entre o Ser (Dasein), a Linguagem e a Morte. O ser humano é fundamentalmente um animal simbólico, e é a capacidade da fala que expressa esses símbolos.
Em Psicanálise, assume-se que a linguagem é um resquício das perdas objetais do organismo quando este se desenvolve em civilização; i.e. você fala "cadeira" porque não possui uma cadeira de verdade, concreta, para apontar. A linguagem é a lembrança daquilo que foi perdido na concretude e o indivíduo precisa representar através de símbolos.
Portanto, a relação do ser humano com a linguagem é fundamental.
Em biologia, a especificação ocorre quando as espécies são separadas por distâncias ou obstáculos geográficos. A mesma coisa ocorre com a língua. A língua é um ser vivo, que passa por todas as mesmas fases que um organismo biológico passa (nascimento, desenvolvimento, reprodução e morte). Portanto, deve ser encarada e preservada como tal. Eu já tinha usado esse argumento anteriormente para justificar minha recusa em aceitar a reforma ortográfica que unifica dialetos do Português em fase de "especiação".
Agora vou usar esse mesmo argumento para justificar porque eu acho que o inglês é uma língua muito adequada para se escrever. Tá certo, eu tenho que admitir que as línguas latinas são muito mais melodiosas, "redondas", que as línguas germânicas (o inglês É uma língua germânica, desde sempre). Mas isto não significa que não seja adequada. Ao contrário, o fato de ser uma língua com vocabulário cheio de ambivalências pode ser uma vantagem. Em literatura, ambivalências são muito úteis. A aridez, rigidez das línguas germânicas também pode ser um recurso importante em literatura. Livros como O Clube da Luta (Fight Club) ou Blue Belle não ficam bem em português, já que são livros que utilizam esse recurso de ambivalências semânticas e secura no estilo e no ritmo. Eu li Blue Belle em português primeiro, depois em inglês, e terminei de ler assustada: não era o mesmo livro, não era a mesma história.
Eu tive a oportunidade de ler Shakespeare e Goethe no original, e percebi que ficam muito mais bonitos no vernáculo natal. Acredito que a qualidade do escritor em aproveitar essas características de seu idioma é importante para a qualidade final do texto.
Não sei se posso me considerar uma boa escritora, mas eu tenho esse processo internalizado, então acho fácil ler e escrever em inglês e perceber a beleza e a riqueza desse idioma. Mais ainda do que o Português, que apesar de ser meu idioma materno, eu conseidero feio e maçante.
PS: O Português é, além de tudo, uma língua machista. Sempre se fala/escreve em masculino os plurais, mesmo que substantivos femininos estejam incluídos nesse plural. No Alemão, apesar de ser um idioma surgido numa região conflituosa e machista da Europa, ocorre o contrário. Todos os plurais em Alemão são femininos (artigo Die). Interessante isso...


1 comentário(s). Deixe o seu.:
Interessante não sabia isso sobre o alemão! legal... nihon go é uma lingua muito legal de estudar, eu a aprendi com 16 anos. valeu a pena, não gosto do inglês é uma lingua muito pobre. as linguas que mais acho interessante são: japonês, italiano, latim, grego.
Mas suas considerações sobre os idiomas são interessantes.
e se vc sente que estudando linguas seria mais realizada, então siga em frente =D
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