"Estar vivo, enfim, é uma grave responsabilidade."
Lya Luft
"There's no point in living when you can't feel alive."
Garbage, The World Is Not Enough

sábado, 28 de junho de 2008

Como ganhei uma coleção de livros de RPG

Hj eu fui almoçar na casa dos meus padrinhos/primos.
Cássio: Vc ainda joga RPG, prima?
Eu: Uai, jogo, assim, tem um tempo q não jogo, mas o Leandro me chamou pra montar um grupo aki em BH. Pq?
Cássio: Pq eu cheguei à conclusão de q eu definitivamente parei de jogar. Tem anos q não jogo. Aí, vc quer meus livros?
Eu: Ah, quero, quais vc tem?
ai ele abre uma porta no armário e eu vejo duas pilhas de livros grossos.
Cássio: Eu só não tenho mais a Máscara, nem os guias da Camarilla e do Sabá, pq eu dei prum amigo meu. Mas aki, ó, tem o Idade das Trevas, o Caçadores Caçados, uns clanbooks (Toreador, Capadócios, Ventrue e Lasombra), o Teatro da Mente (que eu comprei sem querer, não gosto de live, mas achei q era outra coisa), tem dois romances de clã (Toreador e Tzimisce). Tem Mago...
Eu: Qual edição?
Cássio: Segunda.
Eu: Perfeito! A minha preferida! A terceira não presta...
Cássio: Aqui ó, tem Lobisomem, Guia dos Jogadores de Lobisomem, Idade das Trevas de Lobisomem...
Eu: Tem o Guia dos Jogadores de Vampiro?
Cássio: Não. Mas tem o Caçadores Caçados, aki ó, mas ele é chato, jogar com mortais...
Eu: Ah tah. Que mais?
Cássio: Tormenta, aquele antigo.
Eu: Regras de Daemon ou 3D&T?
Cássio: Deixa eu ver... As duas, olha.
Eu: Humm... Eu já joguei no Daemon... Legal...
Cássio: Eu não gosto de 3D&T. Muito simplista. Se bem q eu não gostava mto de D&D pq tinha regras demais. Até pra andar!
Eu: Poisé...
Cássio: Falando eu D&D, tem o AD&D, mestre e jogador, o D&D jogador, Guia dos Itens Mágicos, Ravenloft (o cenário de D&D q eu mais gosto).
Eu: Eu tbm, bem terror, né?
Cássio: É... Tem um troço pra jogar Senhor dos Anéis aqui, quer?
Eu: Quero, uai... Essa pilha ta ficando meio grande pra carregar...
Cássio: Então a gnt combina, eu levo um bocado pra FAFICH a gnt encontra lá e eu te entrego.
Eu: Perfeito. Vc entra de férias qdo?
Cássio: Tenho aula 2a e 4a.
Eu: 2a eu vou pro ICB. 4a eu chego lá às 8h.
Cássio: Meu intervalo é às 9h. Fica assim: eu passo na sua sala (ainda é a 3006? Eu: É), e levo os livros pra vc 9h.
Eu: Beleza. Leva o Lobisomem e o Tormenta, please.
Cássio: Combinado então.
E nós ainda vimos Sweeney Todd... Foi um dia legal... Aliás, o almoço tava ótimo, um bife delicioso, e o Camillo, namorado do Cássio ainda tocou a Marcha Fúnebre e a Sonata ao Luar no piano pra mim...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

5 livros que gostei de ler

Bem... Resolvi fazer um meme hoje (um pouco por falta do que fazer na faculdade, um pouco por ter lido tantos desse troço nos blogs do pessoal que senti uma certa inveja positiva). Então, eis:

5 LIVROS QUE EU GOSTEI DE LER ATÉ HOJE (lista não ordenada)

*Carrascos de Paris: A Dinastia dos Sanson (Bernard Lecherbonnier): o historiador francês abrange a questão da punição, desde a história até aplicações, descrevendo a pena de morte, as torturas, os julgamentos, as prisões, etc, na França entre os séculos XVII e XIX (embora ele cite fatos anteriores). Tudo é relacionado ao contexto político e econômico. As fontes incluem arquivos, atas, sentenças e... os diários dos carrascos que atuaram na cidade de Paris na época estudada. É interessante notar que havia uma certa hereditariedade informal no cargo de executor na França daquela época. Lecherbonnier descreve com detalhes execuções famosas e fatos históricos, faz análise psicológica de personagens, conta a história da guilhotina e a evoluçào do código penal francês. O estilo do autor às vezes lembra romances realistas do século XIX, às vezes lembra teses acadêmicas (o próprio livro foi escrito a partir de uma tese), mas nunca sendo chato ou cansativo. Basicamente, é uma nova maneira de se estudar a história da França. Eu já li umas cinco vezes e ainda quero mais. Acho que vou xerocar ou "roubar" o exemplar da BM Ataliba Lago.




*A Insustentável Leveza do Ser (Milan Kundera): uma tese filosófica sobre a existência? Um triste romance? Um grito de alguém contra o seu espaço e tempo? Ainda não consegui descobrir, mas já tentei duas vezes. É uma história bela e triste, emoldurada pela bela e triste cidade de Praga em pleno domínio soviético. A história dos conturbados relacionamentos humanos. A história do dasein, do ser-o-nada e do ser-para-o-nada. E começa citando Nietzsche. O autor vale-se do recurso da polifonia, porém de modo diverso e relativamente discreto. Cada parte do livro conta a história a partir de um ponto de vista diferentes, da perspectiva de cada personagem diferente, embora se trate de um narrador em 3a pessoa. O que posso dizer é que esse livro aumentou minha vontade de conhecer Praga.



*As Brumas de Avalon (Marion Zimmer-Bradley): a visão das mulheres (sobretudo Morgana das Fadas) sobre a lenda do Rei Arthur. O conflito entre a antiga religião da Deusa-Mãe e a nova crença no Cristo Branco. As guerras na Grã-Bretanha. Mas, acima de tudo, é a história de uma mulher fracassada como mãe, amante e irmã; a história da Rainha dividida entre o desejo, o amor e o dever; do Rei convertido que, ao abandonar suas velhas crenças e perjurar, ameaça levar seu reino ao declínio; do filho do incesto destinado a destronar seu próprio pai. É a história do amor em todas as suas facetas e conseqüências. É a história da Inglaterra em plena Alta Idade Média. Trata-se de um livro grande (4 volumes de mais ou menos 200 ou 300 páginas cada) mas que se desenrola rapidamente. Depois de ler As Brumas nunca mais consegui ler outra coisa sobre o Rei Arthur. Ponho defeitos demais. Da mesma autora recomendo outros dois livros: A Queda de Atlântida e O Incêndio de Tróia. O mesmo estilo e conflitos parecidos, embora tenham panos de fundo diferentes.



*O Perfume (Patrick Süskind): o filme também é bom, mas incomparável com o livro. A história é simples: um gênio órfão francês, portador de olfato absoluto, busca o reconhecimento na carreira perfumística. Nesse meio tempo, descobre que, diferentemente dos demais, ele não possui um cheiro próprio. Sujeito sem escrúpulos, ele parte em busca do perfume que ama, que o tornaria amado e belo, e para isso assassina a sangue-frio 25 garotas. Mas a magia do livro, que o filme não consegue captar, é a descrição do mundo partindo do protagonista, tudo em cheiros, odores e fedores. E, claro, a análise psicológica dos personagens. Eu li o livro pela primeira vez antes de poder entendê-lo, mas com o passar do tempo (e as sucessivas releituras...) eu já o considero uma das minhas melhores aquisições.


*As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho (Lewis Carroll): apesar de serem dois livros distintos, vou tratá-los como um só. Primeiro, porque a edição (americana) que eu tenho reúne os dois em um único volume. Segundo, porque são livros parecidos, com a mesma estrutura, mesma protagonista (Alice, baseada na menina Alice Liddel) e enredos mais ou menos parecidos. A história é simples e bastante conhecida. O que me chama atenção é a distinção entre mundo real e onírico, a fuga de realidade, a (não-)lógica infantil, os animais falantes. Carroll também faz um uso inteligente e interessante das historinhas e canções infantis. O texto se desenrola rapidamente, ocorrem mudanças bruscas e referências mais ou menos escondidas, nas quais você só repara depois de reler várias vezes e não prestar atenção à estória. Eu prefiro ler no idioma original (inglês), mas existem traduções muito boas em português (no meu ver, a da Ana Maria Machado só tem um defeito: substituir as canções e estorinhas infantis pelo folclore brasileiro). Outros livros no mesmo estilo que recomendo: Peter Pan (James Matthew Barrie) e O Mágico de Oz (Frank Baum).

terça-feira, 24 de junho de 2008

As aventuras de Alice na cidade (nem tão) grande...

Minha tia Glorinha me chamou pra ir visitá-la em NYC. Portanto, hj fui na Polícia Federal em BH para tirar meu passaporte. Eu já tinha agendado tudo pela internet, e estava marcado para às 9h da manhã. Como eu não fazia a menor idéia sobre onde era a PF ou como chegar lá eu saí no mesmo horário que eu sairia para ir pra UFMG (até pq não contei pra ninguém q eu ia pra PF e nào pra faculdade...), liguei pra BHTRANS (tipo a Trancid de Divi, mas que regula o trânsito inteiro na região metropolitana) e, como quem tem boca vai a Roma, quem tem boca sai perguntando trocador, motorista, pedestre, até chegar na PF.
Já comecei bem, com a BHTRANS me passando informação errada (eu realmente tinha que pegar o 9201, mas no sentido Nova Granada, não no sentido Baleia). Depois eu peguei o ônibus certo, parei em frente a PM, subi um morro enorme, virei à direita e subi outro morro enorme, passei ao lado de uma das favelas mais perigosas de BH, o Morro das Pedras, até chegar no fim da rua e, enfim, a PF estava diante dos meus olhos. Ainda não eram 8h da manhã e eu estava com dor no peito.
Entrei, fui pra fila (estava até relativamente vazio...) e acabei sendo atendida uma hora antes do marcado. Aí, hora de ir pra faculdade a tempo de participar da discussão com o advogado sobre a ilegalidade da taxa da FUMP e fazer a prova de Filosofia.
Perguntei pra moça da recepção e ela me disse pra pegar o 5201 sentido centro na Raja Gabaglia, em frente ao hospital Madre Teresa. E me disse pra virar esquerda-esquerda após sair da PF pra chegar na Raja. Eu fui e, por sorte, o hospital estava logo na esquina. Eu perguntei pra alguém qual era o sentido centro, atravessei a Raja e peguei o ônibus, que, infelizmente, não ia até a UFMG. Na verdade, o 5201 pega a Av. Pres. Antônio Carlos até mais ou menos o Corpo de Bombeiros, onde eu tive que descer e seguir mais um pouco a pé até a UFMG. Umas 9h eu já estava na sala 3006 da FAFICH particpando da discussão com o advogado.
A propósito, a prova de Filosofia estava relativamente difícil, até onde eu consegui entender e fazer.
MORAL DA HISTÓRIA: BH não é tão grande assim, eu tenho que me abrir às mudanças e sempre chegue mais cedo, você pode ser beneficiado!!!

domingo, 22 de junho de 2008

Ich bin müde

Tô cansada...
Tive um fim de semana supercheio.
Quinta-feira (19-06): Aniversário da Tia Vivi. Fomos pro Estação das gerais, um barzinho bom e barato na Av. Silva Lobo. Cheguei em casa +- 1h da manhã (e no outro dia tive q levantar às 5h30).
Sexta-feira (20-06): Festa do casamento do Rodrigo (amigo dos meus tios de itapecerica). Cheguei em casa mais ou menos meia-noite.
Sábado (21-06): Minha primeira calourada na UFMG! Cheguei lá umas 10 pras 2h da tarde e cheguei em casa 15 pras 10 da noite. Bebi quase todas as bebidas alcoólicas disponíveis e tive q pedir dinheiro pra ir embora pq o banco ja tava fechado e eu tinha gastado o dinheiro do ônibus. Mas tá valendo. Foi uma puta festa, e o show do MPB na Ditadura compensou a minha vida inteira.
Domingo (22-06): Batismo do Mozarzinho, meu priminho baby... Tive q acordar antes das 9h, perdi a corrida, perdi o primeiro tempo do jogo do Galo, mas tbm comi feijão tropeiro e pudim de sorvete, bebi cerveja e guaraná Antarctica Ice e meu tio disse q talvez vai bancar meu curso de alemão.
Ps: Bem... O Galo acabou de empatar com o Náutico. As coisas ainda têm jeito.
Ps 2 (8h30pm): O galo perdeu por 2x1. O Ps anterior é uma falácia. Uma pena.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Anna

Anna vivia num mundo verde. Esse era seu grande problema. Porque todos ao redor (quando ela ainda estava do lado de fora) viviam no cinza. Então ela sofria muito, por não compartilhar da mesma realidade.
As coisas eram feias e tristes na metrópole onde ela morava. As ruas eram escuras e sujas, cheias de becos e mendigos e animais abandonados e crianças famintas. O céu sempre estava encoberto pelos edifícios enormes e cinzentos e a fumaça cinzenta. Não havia árvores, nem grama, nem flores. Apenas concreto armado. Mas Anna não pertencia àquele mundo. Ela era verde. Sua vida interior borbulhava como um caldeirão de caldo verde fervente.
Talvez tenha sido por isso que ela foi presa.
Anna foi mandada por sua família para uma prisão branca e cinza. Havia algumas árvores, um pouco de mato, mas continuava sendo uma prisão cinzenta.
Até que ela se cansou da realidade. Parou de comer, de conversar, de conviver. O verde já havia se apagado dentro dela. Anna se tornou um cinza muito mais sem graça.
Anna viveu até 52 anos num hospício na Áustria, até morrer. Provavelmente suicídio. Ninguém sabe.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Despedida - segunda parte

Despedida - primeira parte

Mamãe: Sinto te informar, mas acho que vc é uma das pessoas que eu nunca vou sentir saudade, q nunca vão me prender a este mundo. Foi mal, não queria te magoar, mas é a vida. Não é minha culpa se vc nunca conseguiu ser mãe de verdade.

Papai: Bem... De uns tempos pra cá as ccoisas melhoraram entre nós, mas eu acho que é pq tem umas 5h de distância entre nós, e quase nenhum telefonema. Senão eu nunca ia te agüentar e vice-versa. Foi bom a gnt ter se separado. Pq vc nunca ia conseguir me converter mesmo...

Bruno: Ah... sei lá... vc só sabia me fazer chorar mesmo...

Vó Aneide: Vc é chata, momenta, grossa, mal educada, estúpida, covarde, mesquinha e cruel. Mas qdo a gnt fica a 120km de distância essas coisas costumam se apagar...

Vó Nila: Eu nunca vou te mandar pro inferno pq, além de te aturar em vida, não quero esbarrar com vc depois de morta. Sem contar que tenho pena do Diabo. Mas fora isso, obrigada por me acolher (meio maltratada) na sua bagunça que vc chama de casa.

Tia Vivi: Se eu fosse vc nunca casaria nem teria filhos. Coitados deles, não teriam culpa de vc ser frustrada a sua vida inteira. Ah, e dava um jeito de sair de casa, mesmo q fosse pra pagar aluguel pro resto da vida. Muito melhor.

Fernando: Vc sabe mto bem como viver sem mim. Não vai ser nem um pouco dificil. Afinal de contas, ninguem mais vai te encher o saco qdo vc quer beber, usar drogas, gastar seu dinheiro levianamente ou fazer qq outra merda...

Em suma, foi mto bom conhecer a maioria de vcs. Os outros eu não quero ver nem no inferno pintados de chocolate.

Tchau

terça-feira, 10 de junho de 2008

nada demais

apenas tentando escrever um conto de ficção científica e falhando penosamente...

[hj estou de verde pq ando lendo sobre Matrix de novo. e axo lindo verde, vermelho e preto... combinação perfeita...]

sábado, 7 de junho de 2008

Fairy Tale

bem... hj foi um dia cansativo... fui acordada 9h pra lavar os banheiros e varrer/passar pano nos quartos. Um saco. Depois eu, a vó e a tia vivi fomos pra casa da tia Carminha. Almoçamos e fomos pra ver a apresentação do Bruninho na escola. Aí voltamos pra tia Carminha. Então, o q era pra ser um lanche rápido virou uma tortura de 3h de duração. Eu tava louca pra ir embora, escutar o jogo do Galo (q por sinal tomou um balaio: 5x1 pros Bambis de SP. E quem me contou foi o Fernando, quem diria, dando notícia de futebol. Só pra me implicar...), adiantar o trabalho de estatístca, e as duas chatas lá, enchendo o saco, enrolando...
q merda...
to cansada. quero minhas férias. rápido. não acho q vai dar tempo de ir pros EUA ver a Goinha, mas pelo menos vou ter um mês beeeem longe de BH, ao menos 120km (pq eu só volto qdo as aulas voltarem).
e, de quebra, beeeem longe das chatas...
hj fikei o dia inteiro planejando meu suicidio. nas férias. Vou aproveitar o meu presente de aniversário (uma noite ou algumas horas em um quarto de motel com banheira ou piscininha). qdo o fernando estiver descansando ou dormindo eu vou pra banheira/piscininha e corto meus pulsos com uma gilete ou estilete ou faquinha.
eu sei q vai doer, q vai demorar, mas eu preciso fazer isso. to de saco cheio. Não consigo viver tranqüila, sem pensar q nada tem sentido, q nada importa. Se ao menos eu tivesse uma vida particular q compensasse minha frustração... ... ... ... ...
Pra mim é dificil demais mudar... enfrentar...

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Metástase

12-03-08

Semana passada eu li sobre aquela teoria do choque. Parece bastante assustador para quem vê, mas eu não sei se é bom ou ruim para o paciente. O médico que concedia a entrevista garantia que era um tratamento muito bom, seguro, saudável. Nunca sei no que acreditar.


13-03-08

"Do you really want to live forever?"

Eu não sei... Mas às vezes a perspectiva de morrer me aterroriza. Viver para sempre deve ser muito chato...


Tive um pesadelo. Queriam me assassinar, depois de matar uma amiga minha (cuja face não reconheci), e com requintes de crueldade (derreter o cérebro com um líquido). Eu tinha que fugir o tempo todo, mas era o tempo todo seguida por pessoas diferentes. Mesmo protegida por grades e muros e pessoas eu vivia com medo de morrer. Acordei encharcada de suor às duas da manhã.


Ele me ligou tão tarde ontem... Me senti tão abandonada, esquecida, morta... É complicado tentar associar as suas idéias e as suas necessidades a outras pessoas. Principalmente quando se trata de alguém com vínculos afetivos demasiado estreitos.


Não. A vida não pode fazer sentido. Preciso concordar com o professor de Filosofia: eu invejo os animais. O ser humano é o único ser mortal. Os animais não têm consciência da morte, ao passo que para o humano essa é uma das maiores fontes de angústia. O nada amedronta o homem, e a morte é a passagem para o nada. Para o esquecimento. Para a destruição daquilo que um dia representou alguma coisa. Mas eu gosto de pensar na morte como uma coisa boa, como "o fim da festa", o derradeiro descanso desse desfiladeiro de atribulações, Ainda assim, talvez fosse melhor se eu não soubesse que vou morrer.


Não sei quem sou, só sei do que não gosto. Eu não gosto de iogurte natural, de trabalho doméstico, de ficar parada, de ficar sozinha, de padronização. Eu não sei jogar bem xadrez, mas queria uma gata chamada Dinah. Ou Alice.


25-03-08

Eu ganhei muito chocolate esse fim de semana. Eu até gosto de chocolate, mas acho enjoativo e além disso sou alérgica. Não vejo outra graça na Páscoa, a não ser o feriado pronlogado. Tenho me sentido muito mal. Até quando eu vou viver em função do próximo fim-de-semana ou feriado? Como viver em função de um espqço que eu não ocupo mais? Como viver uma vida que não é mais minha?


"Cogito ergo sum". Eu vou morrer porque estou viva. "Não tenha inveja dos mortos". Não tenho inveja dos vivos. Nem de mim. Se eu apressar o processo e usar meus pulsos como saída de emergência, o que vai acontecer? Até onde abdicar de uma vida miserável e abraçar a morte pode ser uma boa saída? Existe uma boa saída? O que é bom?


10-04-08

"Deus está morto. E nós o matamos. E ainda comemoramos. Vocês não sentem o cheiro da putrefação cósmica? Vocês não vêem os oceanos ressecados, o sol apagado?"


Eu sou uma mercadoria. Eu me vendo. E por muito pouco. Não há mais lugar para a peça humana no meio desse relógio mecanizado. O que interessa é produzir-consumir, num ciclo sem fim. O que interessa é o establishment. O pós-modernismo sepultou a razão. E agora? Como ficamos nós, desamparados, já que Deus está morto e a ciência está em seu crepúsculo? Estamos sem referencial.


Essa cadeira não existe. Nada existe. Estou há quase uma semana me sentindo abandonada. estamos incomunicáveis. Sozinha, desamaparada, desfocada. Eu deveria pular do terraço, mas não posso. Preciso ouvir a voz dele de novo, tocá-lo de novo. Ou vou apodrecer por dentro.


11-04-08

Ontem, depois do almoço, ele me ligou. Eu estava sentindo sua falta, tanto... Esvaziei um pouco as glândulas lacrimais e depois tentei dormir. Foi difícil.


12-04-08

Não quero esse mundo. Não quero essa sociedade. Não quero esse sistema. Não quero essa vida. Mas também não quero morrer.


15-04-08

Eu vivo na era da laicização do mundo. E daí? Talvez fosse bom ter um pouco de sagrado. Talvez fosse bom ter fé. Mas eu não sei, nunca vi.


"Because sometimes you feel weak

You feel weak, you feel weak

And feeling weak you just want to give up..."


07-05-08

E se Baudrillard estiver correto? E se vivemos no mapa, e não no território? E se tudo for um simulacro do real?

Tenho dormido tão pouco e mal ultimamente...


21-05-08

18 anos. Grande coisa. Pelo menos agora não vou mais ser barrada em show e vou poder fazer minha tatuagem e meu piercing. No mais, nenhuma diferença. O camarão com o Fernando ficou para depois do feriado. Uma pena.
"Espero que a partida seja boa. E espero não voltar nunca mais."
Frida Kahlo