"Estar vivo, enfim, é uma grave responsabilidade."
Lya Luft
"There's no point in living when you can't feel alive."
Garbage, The World Is Not Enough

domingo, 23 de abril de 2006

Carta de amor para um Anjo Negro, de asas macias...


Engel,
Como voar com os pés no chão? Mergulhar na imensidão azul de um céu claro... Ah!, mas as asas da borboleta foram despedaçadas - maldito avião!- e não se pode mais alçar vôo.
Bem, é nisso que dá tentar enfrentar o desconhecido. Os covardes estão vivos, não é mesmo? E nós somos corajosos. Estamos ambos condenados à fogueira das vaidades, por mais que a evitemos. Eles estão em nós, e não há válvula de escape contra o que vem de dentro. Esse é o grande dilema que todos enfrentamos: até onde podemos lutar contra nós mesmos? Até onde o medo e a dor serão necessários? Até onde isso é real?
Nós escolhemos o caminho mais longo, para colher rosas e observaros passarinhos cantando na mata selvagem, e enquanto estamos caminhando e cantando, o lobo-mau já está com a pobre vovozinha... E na verdade, ela não passa de um punhado de átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio capazes de liberar energia e nutrientes. Gado.
Não estou me queixando, Engel. Eu escolhi meu próprio caminho, agora estou percorrendo-o da melhor maneira possível. (Bem, isso é mentira, mas não que faça alguma diferença.)
[Eu gostaria de saber como é a sua voz...]
Por que as pessoas têm tanto medo de cemitérios? Os mortos estão selados na terra, cobertos de mármore e cal... Por que temer o irreal? Ah, eu não sei por que eu insisto em explicar o que nem eu entendo...
Deixa pra lá... Eu nunca vou voar mesmo, e há muito abandonei cemitérios e contos de fada. Talvez seja melhor assim...
(Se aprender a voar, Engel, por favor me ensine.)
De tua, Akyrå.
PS.: Taurus + Virgo = amor
Será???!!!
E não te esqueças do pó.

terça-feira, 4 de abril de 2006

Divagações sobre n coisas...

Vou começar colocando um texto do Marx que eu axei num livro de história, sobre religião:

"O fundamento da crítica irreligiosa é: o homem faz a religião, a religião não faz o homem. E, na realidade, a religião é a consciência de si ou o sentimento de si do homem que ainda não se conquistou ou que já se perdeu. Mas o homem não é uma essência abstrata, fora do mundo. O homem é o mundo do homem, Estado, sociedade. Esse Estado, sua sociedade produzem a religião, que é uma consciência invertida, porque são um mundo invertido. A religião é a teoria universal desse mundo, seu compêndio enciclopédico, sua lógica sob forma popular, seu ponto de honra espiritual, seu entusiasmo, sua sansão moral, seu solene complemento, sua razão universal de consolação e de justificação. É a realização fantástica da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. A luta contra a religião é assim, indiretamente, a luta contra esse mundo, cuja religião é o aroma espiritual.
A miséria religiosa é, de um lado, a expressão da miséria real e, de outro, do protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura atormentada, o sentimento de um mundo sem coração, como é o espírito dos tempos privados de espírito. Ela é o ópio do povo."
"Espero que a partida seja boa. E espero não voltar nunca mais."
Frida Kahlo