
Engel,
Como voar com os pés no chão? Mergulhar na imensidão azul de um céu claro... Ah!, mas as asas da borboleta foram despedaçadas - maldito avião!- e não se pode mais alçar vôo.
Bem, é nisso que dá tentar enfrentar o desconhecido. Os covardes estão vivos, não é mesmo? E nós somos corajosos. Estamos ambos condenados à fogueira das vaidades, por mais que a evitemos. Eles estão em nós, e não há válvula de escape contra o que vem de dentro. Esse é o grande dilema que todos enfrentamos: até onde podemos lutar contra nós mesmos? Até onde o medo e a dor serão necessários? Até onde isso é real?
Nós escolhemos o caminho mais longo, para colher rosas e observaros passarinhos cantando na mata selvagem, e enquanto estamos caminhando e cantando, o lobo-mau já está com a pobre vovozinha... E na verdade, ela não passa de um punhado de átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio capazes de liberar energia e nutrientes. Gado.
Não estou me queixando, Engel. Eu escolhi meu próprio caminho, agora estou percorrendo-o da melhor maneira possível. (Bem, isso é mentira, mas não que faça alguma diferença.)
[Eu gostaria de saber como é a sua voz...]
Por que as pessoas têm tanto medo de cemitérios? Os mortos estão selados na terra, cobertos de mármore e cal... Por que temer o irreal? Ah, eu não sei por que eu insisto em explicar o que nem eu entendo...
Deixa pra lá... Eu nunca vou voar mesmo, e há muito abandonei cemitérios e contos de fada. Talvez seja melhor assim...
(Se aprender a voar, Engel, por favor me ensine.)
De tua, Akyrå.
PS.: Taurus + Virgo = amor
Será???!!!
E não te esqueças do pó.

